Entre agosto e outubro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de oito lotes falsificados de toxina botulínica: sete de Dysport e um de Xeomin, em cinco resoluções. Somado ao bioestimulador falsificado de agosto, são seis medidas envolvendo injetáveis estéticos em menos de dois meses.

O riscoFrasco sem procedência conhecida.
A conferênciaRegistro, lote e frasco aberto na sua frente.Se você faz ou pretende fazer aplicação de toxina botulínica, este texto explica exatamente o que foi proibido e o que dá para conferir antes de uma aplicação — sem precisar entender de regulação sanitária.
Em 30 segundos
1Em 2026, a Anvisa proibiu oito lotes falsificados de toxina: sete de Dysport e um de Xeomin.
2Vale pedir o frasco lacrado, aberto na hora, e conferir lote e registro na Anvisa.
3Falsificações copiam a embalagem; o confiável é cruzar o lote com as listas da Anvisa.
Entre agosto e outubro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização e a distribuição de oito lotes de toxina botulínica (sete de Dysport e um de Xeomin), todos por falsificação reconhecida pela detentora do registro. Ou seja: não são produtos vencidos nem com defeito de fabricação. São produtos que a empresa não produziu.
| Produto e lote | Ato da Anvisa | Data |
|---|---|---|
| Dysport 500 U · P22686 | RE nº 3.356/2026 | 27/08/2026 |
| Dysport 500 U · P08193 | RE nº 3.480/2026 | 03/09/2026 |
| Dysport 500 U · U14534 | RE nº 3.480/2026 | 03/09/2026 |
| Dysport 500 U · P08191 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
| Dysport 500 U · P08192 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
| Dysport 500 U · P22368 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
| Xeomin · NDC 46785-162-03 | RE nº 4.009/2026 | 13/10/2026 |
| Dysport · 025155 | RE nº 4.090/2026 | 19/10/2026 |
Cinco resoluções em menos de dois meses. O que isso indica não é um problema com o produto original: indica que há material falsificado circulando por canais que não são os do fabricante, e que a fiscalização vem identificando lotes sucessivos.
Em outubro, um lote de Xeomin. Em 13 de outubro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de unidades de Xeomin identificadas como lote NDC 46785-162-03 (RE nº 4.009/2026). A detentora do registro comunicou à agência ter encontrado no mercado unidades com divergências na identificação do lote, nas datas de fabricação e validade, na arte gráfica e na rotulagem da caixa — falsificação, nos termos do próprio ato. Armazenar, vender, distribuir, transportar e usar esse lote está proibido.
Em 19 de outubro, mais um lote de Dysport. A Anvisa determinou a apreensão do lote 025155 de Dysport (RE nº 4.090/2026, publicada no Diário Oficial da União de 19/10/2026). A detentora do registro comunicou ter encontrado unidades com validade impressa de 06/2028, quando a do produto genuíno é 06/2027, frasco de formato diferente, código de barras de outro lote (W26232) e rótulo da caixa fora do padrão — falsificação, nos termos do próprio ato. Comercializar, distribuir e usar esse lote está proibido.
No mesmo período, a Anvisa também proibiu um bioestimulador falsificado, identificado por divergência de embalagem: o falsificado vinha em caixa branca, enquanto o original é magenta. Nem toda falsificação é grosseira assim, mas vale olhar.
Lista conferida em 22 de outubro de 2026. Novos lotes podem ser incluídos — a fonte oficial é o sistema de normas da Anvisa.
Nada disso significa que a toxina botulínica seja insegura. Significa que a procedência do produto é parte do procedimento, e não um detalhe administrativo. O produto falsificado não tem controle de fabricação, de conteúdo ou de conservação: não se sabe o que há dentro do frasco, nem em que quantidade. É por isso que a pergunta sobre origem não é indelicadeza do paciente — é a pergunta certa.
Medicamentos injetáveis de uso estético têm valor alto por frasco e demanda crescente. Isso cria um mercado paralelo, em que o produto circula fora da cadeia oficial de distribuição — importação irregular, revenda entre terceiros, venda por redes sociais e aplicativos de mensagem.
A cadeia oficial funciona de outro jeito: o fabricante vende a distribuidores autorizados, que vendem a serviços de saúde cadastrados, com nota fiscal e rastreabilidade do lote em cada etapa. Quando um frasco aparece fora dessa cadeia, não há como saber onde ele esteve, nem em que temperatura foi transportado — o que importa, porque toxina botulínica é um produto termossensível.
A orientação vale para qualquer serviço e para qualquer marca de toxina.
1. Peça para ver o frasco. Ele deve chegar lacrado e ser aberto na sua frente. Esse é um pedido comum e nenhum profissional deve se incomodar com ele.
2. Confira o lote e a validade impressos no frasco e na caixa. Compare com a lista de lotes proibidos acima. A Anvisa publica cada nova proibição no portal oficial.
3. Verifique o registro na Anvisa. Todo produto regularizado tem número de registro no rótulo, e ele pode ser consultado gratuitamente no site da agência.
4. Pergunte de onde vem o produto. Distribuidor autorizado, com nota fiscal. É uma informação que qualquer serviço regular tem à mão.
5. Guarde o registro da sua aplicação. Marca, lote e validade do que foi usado em você. Se houver qualquer questionamento depois, esse dado é o que permite rastrear.
Se o profissional não mostra o frasco, ou se a resposta sobre procedência é evasiva, isso é informação.
Frasco lacrado e aberto na sua frente, lote e validade conferidos, registro na Anvisa e procedência com nota fiscal: são verificações simples, que qualquer serviço regular aceita fazer antes da aplicação.
Se você aplicou toxina recentemente e não sabe qual foi o lote, o caminho é pedir essa informação a quem aplicou — todo serviço de saúde é obrigado a manter esse registro no prontuário.
Se você apresentar qualquer sintoma que não faça parte do esperado para o procedimento, procure atendimento médico e leve a informação do produto usado.
Nem sempre dá. Falsificações recentes reproduzem a embalagem com boa fidelidade. Por isso a conferência mais confiável não é visual: é o cruzamento do número do lote com as listas de proibição da Anvisa e a procedência documentada do produto.
São marcas diferentes de toxina botulínica tipo A, com formulações e unidades de dosagem próprias. Qualquer uma delas pode ser alvo de falsificação, e a conferência de lote vale igualmente para todas.
No portal da Anvisa, nas seções de alertas e resoluções. As medidas também costumam ser noticiadas pela imprensa no dia da publicação no Diário Oficial.
Não há como responder, porque não se sabe o que há dentro do frasco. A duração esperada de uma aplicação regular é estimada a partir de estudos feitos com o produto original.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, com atuação em dermatologia clínica, cirúrgica e estética, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Próxima revisão prevista: março de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo.
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou orientação de conduta, que dependem de exame presencial.
Atualizado em 22 de outubro de 2026.