Peeling químico: o que cada ácido faz, para que serve e como é a recuperação

Peeling químico é a aplicação de um ácido sobre a pele para provocar uma lesão controlada, que leva a pele a se renovar e pode melhorar manchas superficiais, acne, textura e sinais leves de sol. O ácido, a profundidade e o preparo mudam de uma pessoa para outra, e algumas peles não devem fazer ou precisam adiar.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 9 de outubro de 2026
Manchas e textura: pele marcada pelo solManchas e texturaPele marcada pelo sol.
O peeling: ácido aplicado em camada fina e uniformeO peelingÁcido aplicado em camada fina e uniforme.
Figura 1. O peeling renova a superfície da pele e uniformiza o tom. Fotos: Pexels.

Em 30 segundos

1O ácido provoca uma lesão controlada que leva a pele a se renovar.

2A profundidade do peeling muda o efeito, a recuperação e o risco.

3No melasma e em fototipos altos, a escolha pede cautela pelo risco de mancha.

O que é peeling químico e como ele age

O ácido aplicado na pele provoca um dano controlado, numa profundidade escolhida. A pele responde se regenerando e se remodelando, e é dessa renovação que vem a melhora de tom e textura. A camada tratada se solta nos dias seguintes, o que aparece como descamação, mais fina ou mais evidente conforme a profundidade.

Os peelings são classificados pela profundidade que atingem:

  • Peeling superficial: age dentro da epiderme, a camada mais externa da pele. É usado em manchas superficiais, pele oleosa e acne, com pouquíssima recuperação.
  • Peeling médio: atravessa a epiderme e chega à parte superior da derme. Entra em manchas mais estabelecidas e rugas moderadas, com descamação mais evidente.
  • Peeling profundo: alcança a camada média da derme. É feito com fenol ou com ácido tricloroacético (ATA) em concentração acima de 50%, voltado para rugas importantes, com recuperação longa. A literatura recomenda que haja monitorização cardíaca disponível durante a aplicação do fenol, pelo risco de toxicidade sobre o coração.

A clínica realiza peelings superficiais, médios e o peeling profundo de ATA, este com indicação restrita. O peeling de fenol não é realizado na clínica.

Quanto mais profundo o peeling, maior o efeito e maior o risco. Por isso a profundidade é escolhida para o problema e para a pele de cada pessoa, e não pela expectativa de um resultado “mais forte”.

Ilustração em corte das camadas da pele com a profundidade aproximada de peeling, microagulhamento, laser de CO2, skinbooster, bioestimulador, preenchedor e toxina botulínica

Camadas

  • 1Epidermea camada de fora
  • 2Dermecolágeno, vasos e glândulas
  • 3Hipodermegordura
  • 4Músculoonde age a toxina

Na superfície

  • 5Peeling superficialsó a epiderme
  • 6Peeling médioaté o começo da derme
  • 7Microagulhamentoderme superficial
  • 8Laser de CO₂ fracionadocolunas até a derme

Injetáveis

  • 9Skinboosterna derme
  • 10Bioestimuladorderme profunda e gordura
  • 11Preenchedorvolume na gordura ou mais fundo
  • 12Toxina botulínicano músculo
Figura 2. Até onde cada procedimento chega, de forma aproximada. A profundidade varia com o aparelho, o produto e a técnica. Ilustração.

Tipos de peeling: o que cada ácido faz

Os agentes abaixo são os descritos na literatura médica, organizados por grupo. Concentração, tempo de contato e associação entre eles são definidos pelo médico na avaliação, e é isso que faz o mesmo ácido funcionar como peeling mais leve ou mais profundo.

  • Ácido glicólico (alfa-hidroxiácido): diminui a coesão entre as células da camada mais externa da pele e acelera a renovação. É descrito em acne com cravos e na redução do tamanho aparente dos poros.
  • Ácido mandélico (alfa-hidroxiácido derivado da amêndoa amarga): tende a irritar menos que outros alfa-hidroxiácidos e a causar menos vermelhidão, o que o coloca entre as opções para pele sensível e com acne.
  • Ácido salicílico (beta-hidroxiácido): é lipossolúvel, o que facilita a entrada nas glândulas que produzem sebo. Por isso aparece em acne, cravos e pele oleosa. Aumenta a sensibilidade da pele ao sol.
  • Ácido retinoico: usado como peeling muito superficial e descrito no tratamento do melasma.
  • Solução de Jessner (associação de resorcina, ácido lático e ácido salicílico): sozinha, é classificada como peeling superficial; associada ao ácido tricloroacético, compõe um peeling médio.
  • Ácido tricloroacético (ATA): é o chamado “peeling de ATA”. Conforme a concentração e a associação, pode ser um peeling superficial, médio ou, acima de 50%, profundo. Durante a aplicação, a pele pode ficar esbranquiçada (o frosting), sinal que orienta o médico sobre a profundidade atingida.

Na clínica, os peelings são feitos com ácido retinoico, solução de Jessner e ácido tricloroacético (ATA). Qual deles entra no seu caso, e em que combinação, é definido na avaliação.

Peeling de diamante não é peeling químico. O nome é usado para uma esfoliação mecânica (microdermoabrasão), que desgasta a camada mais superficial da pele com uma ponteira abrasiva. Não usa ácido e não segue a classificação acima.

Para que serve o peeling químico, e para que não serve

O peeling químico é uma ferramenta entre várias. Se a dúvida é escolher entre técnicas, o comparativo entre laser, peeling e microagulhamento mostra o que cada uma resolve. Aqui, o foco é o próprio peeling.

Manchas superficiais. O peeling para manchas atua no pigmento que está na epiderme: manchas de sol, sardas e manchas que ficam depois de espinhas ou inflamações. Antes de tratar, é preciso saber que mancha é essa, porque nem toda mancha no rosto é melasma e a conduta muda conforme o diagnóstico.

Acne e pele oleosa. O peeling para acne entra como complemento do tratamento médico ou como manutenção, não como substituto dele. Ácidos como o salicílico ajudam em cravos e oleosidade, mas o tratamento da acne continua sendo a base.

Textura e poros. A renovação da camada superficial deixa a pele mais uniforme e pode melhorar a aparência dos poros dilatados.

Fotoenvelhecimento leve. Pele áspera, tom irregular e linhas finas causadas pelo sol acumulado estão entre as indicações descritas.

Para que o peeling não serve. Não repõe volume, não trata flacidez e não age sobre as rugas formadas pelo movimento dos músculos. Peeling superficial não alcança o pigmento que está na derme. Cicatrizes de acne afundadas e aderidas pedem outras técnicas: o tratamento de cicatrizes de acne combina recursos como subcisão, microagulhamento e laser. Pintas e outras lesões sem diagnóstico não são tratadas com peeling.

Peeling e melasma: por que a cautela

Melasma é uma mancha crônica que pode ser desencadeada ou agravada por procedimentos que inflamam a pele, e o peeling está entre eles. No melasma, o peeling é considerado segunda linha: entra junto com o tratamento com cremes e com a manutenção, nunca sozinho.

O que pesa na decisão:

  • peelings muito superficiais e superficiais são os considerados mais seguros em pele com mais pigmento;
  • quando o melasma tem componente na derme, o peeling superficial não alcança esse pigmento, e peelings mais agressivos tendem a ser evitados pelo risco de cicatriz e de manchas pós-inflamatórias;
  • o peeling profundo está na lista de cautela, pelo risco de efeito rebote;
  • mesmo com boa resposta, a recidiva é frequente, o que exige manutenção e fotoproteção contínuas.

O tratamento do melasma é planejado como um todo, e o peeling, quando entra, é uma parte dele.

Fototipo e o risco de mancha depois do peeling

Fototipo é a classificação da pele pela forma como ela reage ao sol, da que sempre queima e nunca bronzeia à que raramente queima e bronzeia com facilidade. Nos fototipos III a VI, que incluem as peles morenas e negras, a literatura pede cautela: a pele responde à inflamação produzindo mais pigmento, e o peeling pode deixar uma mancha pós-inflamatória, mais escura que a pele em volta. Esse risco cresce com os peelings médios e profundos.

Isso não exclui o peeling em pele morena ou negra. Muda a escolha do ácido e da profundidade, o preparo antes e o cuidado depois, e pesa a favor dos peelings superficiais.

Antes do peeling: como a pele é preparada

Preparo em casa. Antes do peeling, costuma-se usar produtos que afinam e uniformizam a camada mais externa da pele, para que o ácido penetre de forma regular. Em quem tem tendência a manchar, o preparo também ajuda a frear a produção de pigmento novo. Quais produtos e por quanto tempo é definido na avaliação.

Proteção solar desde antes. A proteção contra o sol faz parte do tratamento antes e depois. Pele bronzeada ou queimada recentemente adia o procedimento.

Nada de agredir a pele na véspera. Depilação com cera, esfoliações e outros procedimentos que machucam a pele da região são evitados antes do peeling.

Herpes labial de repetição. Quem tem histórico de herpes deve avisar na consulta: pode ser indicado um antiviral preventivo.

O que você usa hoje. Medicamentos e cosméticos em uso, em especial isotretinoína (conhecida popularmente como Roacutan), ácidos e retinoides, são revisados na consulta, porque alguns precisam ser suspensos ou mudam a decisão.

Recuperação do peeling: o que esperar nos dias seguintes

A recuperação do peeling acompanha a profundidade. No peeling superficial, ela costuma ser discreta. No peeling médio, a descamação é mais evidente e dura alguns dias, seguida de vermelhidão que vai diminuindo. No peeling profundo, a recuperação é a mais longa das três e os riscos, como mancha e cicatriz, são maiores; por isso a indicação é restrita e os retornos são combinados antes do procedimento. O prazo esperado para o seu caso é informado na avaliação.

Logo depois da aplicação. Ardência, vermelhidão, coceira e algum inchaço podem aparecer.

Nos dias seguintes. A pele fica mais seca e sensível e começa a soltar, em lâminas finas ou em placas, conforme a profundidade.

Não arranque a pele que está soltando. Deixe que ela saia sozinha. Não puxar nem coçar a pele em descamação é uma das orientações mais repetidas nos cuidados após o peeling.

Limpeza e hidratação. Sabonete suave, sem esfregar e sem bucha; secar com toques leves; hidratante indicado na consulta. Maquiagem só quando liberada.

Fotoproteção rigorosa. Filtro solar de amplo espectro todos os dias, chapéu e sol direto evitado. A pele recém-tratada fica mais sensível ao sol, e a exposição nessa fase favorece manchas.

Quando avisar o médico. Bolhas, crostas amareladas ou com secreção, feridas que não fecham ou manchas escurecendo devem ser comunicadas logo.

Quem não deve fazer peeling ou deve adiar

  • Quem tem ferida, infecção ativa ou herpes ativo na área a ser tratada.
  • Quem usa isotretinoína ou usou recentemente: o uso atual ou recente pode prejudicar o resultado do peeling. O tempo de espera depois de suspender é definido na avaliação.
  • Quem se expôs ao sol recentemente ou não consegue evitar o sol nos dias seguintes.
  • Gestantes: a clínica não faz peeling químico durante a gestação. Na amamentação, os peelings médios e profundos estão entre as contraindicações; para os superficiais, a decisão é individual.
  • Quem já teve reação alérgica a algum agente de peeling.
  • Para o peeling médio, pesam ainda: dermatite atópica ou psoríase, tendência a queloide, cicatrização difícil, diabetes descontrolado ou imunossupressão, tabagismo, radioterapia prévia na região e cirurgia facial recente.
  • Quem espera do peeling algo que ele não entrega.

Muitas dessas situações não proíbem o peeling para sempre: adiam o procedimento ou mudam a profundidade escolhida.

Por que o número de sessões varia

  • O problema tratado. Manchas, acne, textura e fotoenvelhecimento respondem de formas diferentes.
  • A profundidade. Peelings superficiais costumam ser feitos em série. Mais profundidade traz mais efeito, e também mais recuperação e mais risco.
  • A resposta de cada pele. O mesmo ácido pode dar resultados diferentes em pessoas diferentes.
  • O tratamento de fundo. Em acne e melasma, o peeling é complemento: o resultado depende também dos cremes e da manutenção.
  • Recidiva. O melasma volta com frequência, e na acne o peeling também é usado como manutenção.

Por isso o número de sessões e o intervalo entre elas são definidos na avaliação e revistos conforme a resposta.

Peeling "que não descasca" e peeling sem avaliação

A quantidade de descamação visível depende do ácido e da profundidade. Não descascar não é sinal de que o ácido não agiu, nem de que o procedimento é isento de risco: todo peeling provoca alguma irritação, e em pele com melasma ou de fototipo mais alto essa inflamação pode virar mancha.

O ponto mais sensível é pular a avaliação. As complicações do peeling aparecem sobretudo quando ele não é aplicado corretamente ou quando a pele não foi preparada ou cuidada depois. Sem consulta, ficam de fora perguntas que mudam a decisão: a mancha é melasma? Há uso de isotretinoína? Histórico de herpes? Sol recente? Qual é o fototipo? A seleção de quem pode fazer e a orientação antes e depois são apontadas na literatura como decisivas para o resultado e para evitar complicações.

O peeling químico adequado depende da mancha, do fototipo e do que a sua pele já usa. A avaliação define se ele entra no plano, com qual profundidade e em que momento.

Perguntas frequentes

Peeling químico dói?
A sensação mais comum é ardência ou queimação durante a aplicação, com intensidade que varia conforme o ácido e a profundidade. Coceira e inchaço também podem aparecer logo depois.

O que é peeling de ATA?
É o peeling feito com ácido tricloroacético. Conforme a concentração e a associação com outros agentes, ele pode ser superficial, médio ou profundo, e essa escolha é feita na avaliação. A clínica realiza o peeling de ATA, inclusive o profundo, com indicação restrita.

Quanto tempo a pele descasca depois do peeling?
Depende da profundidade: no peeling superficial a descamação costuma ser discreta; no médio, é mais evidente e dura alguns dias, seguida de vermelhidão. O prazo esperado para o seu caso é informado na avaliação.

Pode fazer peeling no verão?
Não existe proibição por estação. O que pesa é a exposição ao sol antes e depois do procedimento: quem vai se expor muito tende a ter o peeling adiado ou trocado por uma opção mais leve, decisão tomada na avaliação.

Peeling químico tira melasma?
Não cura. Pode ajudar a clarear o componente mais superficial como parte de um tratamento combinado com cremes e manutenção, mas também pode piorar a mancha se a pele inflamar, e a recidiva é frequente.

Quanto custa peeling químico em Londrina?
O valor depende do tipo de peeling indicado, que é definido na avaliação. A consulta de avaliação tem valor próprio e é o ponto de partida. Atendimento exclusivamente particular. Valores atualizados de consulta são informados pelo WhatsApp da clínica.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Samargandy S, Raggio BS. Chemical Peels for Skin Resurfacing. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; atualizado em 29 out. 2023. Acessar
  2. Măgerușan ȘE, Hancu G, Rusu A. A Comprehensive Bibliographic Review Concerning the Efficacy of Organic Acids for Chemical Peels Treating Acne Vulgaris. Molecules. 2023;28(20):7219. Acessar
  3. Sarkar R, Arsiwala S, Dubey N, et al. Chemical Peels in Melasma: A Review with Consensus Recommendations by Indian Pigmentary Expert Group. Indian J Dermatol. 2017;62(6):578-584. Acessar
  4. Handel AC, Miot LDB, Miot HA. Melasma: a clinical and epidemiological review. An Bras Dermatol. 2014;89(5):771-782. Acessar

Próxima revisão prevista: abril de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo.

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João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

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