Preenchimento que não agradou, ficou marcado, inchou ou migrou: o que é possível corrigir, o que é hialuronidase e por que acrescentar mais produto costuma piorar.
Existe uma consulta que quase ninguém anuncia, e que é uma das mais necessárias: a de quem fez preenchimento e não ficou satisfeito.
Pode ser um lábio que ficou com formato estranho. Uma olheira que inchou em vez de melhorar. Um rosto que ficou mais largo. Um contorno palpável sob a pele. Ou simplesmente a sensação difusa de não parecer mais você.
Este texto explica o que costuma estar por trás de cada situação e o que é possível fazer — inclusive não fazer nada.
Preenchedores de ácido hialurônico são, na maior parte das situações, reversíveis. Existe uma enzima, a hialuronidase, que degrada o ácido hialurônico e é aplicada em procedimento médico exatamente para isso.
Isso muda o tom da conversa. Não é uma situação definitiva, e a urgência que a pessoa sente costuma ser maior do que a urgência real do caso.
“Meu lábio ficou com formato esquisito.”
Causas frequentes: volume acima do que aquele lábio comporta, produto firme demais para a região, distribuição desigual entre os lábios ou desrespeito à proporção entre superior e inferior.
“Minha olheira inchou.”
A pálpebra inferior é uma das regiões menos tolerantes do rosto. Produto inadequado, plano superficial demais ou volume excessivo produzem edema persistente e aspecto azulado. É uma das correções mais pedidas.
“Meu rosto ficou mais largo.”
Clássico de quem preencheu volume onde o problema era de sustentação. O peso adicionado desce, e o resultado é o oposto do pretendido.
“Dá para sentir o produto.”
Aplicação superficial demais em pele fina, ou produto com capacidade de sustentação usado onde pedia maleabilidade.
“Parece que migrou.”
Deslocamento ocorre sobretudo com produto inadequado para a região, plano incorreto ou volume excessivo em área de muito movimento.
É uma enzima que quebra as ligações do ácido hialurônico, acelerando sua degradação. Aplicada por médico, em consultório, com avaliação prévia.
Alguns pontos que costumam surpreender:
Nada disso a torna um procedimento a se temer. Torna-a um procedimento médico, que pede o mesmo cuidado de qualquer outro.
É acrescentar produto para corrigir produto.
Quando o incômodo vem de excesso ou de posicionamento inadequado, colocar mais em outro lugar para “equilibrar” quase sempre piora: aumenta o volume total do rosto, adiciona peso e afasta ainda mais do ponto de partida.
Em muitos casos a conduta correta é subtrair, e às vezes é esperar. Preenchedores são reabsorvidos com o tempo, e parte das queixas de quem fez há poucas semanas se resolve sozinha conforme o edema cede.
A regra prática: não se decide dissolver no dia seguinte, salvo quando há sinal de complicação, situação em que a conduta é imediata.
Estes não são casos de “não gostei” — são casos de intercorrência, e a conduta é imediata:
Diante de qualquer um deles, procurar atendimento médico no mesmo momento. Não esperar para ver se melhora. O artigo sobre o que pode dar errado em um preenchimento detalha esses sinais e o que fazer em cada um deles.
Ela começa antes de qualquer produto: exame do rosto, histórico do que foi aplicado (produto, quantidade, quando e onde, quando essa informação existe) e, principalmente, entender o que exatamente incomoda.
A partir daí as opções costumam ser: aguardar a reabsorção, dissolver parcialmente, dissolver e refazer depois de um intervalo, ou tratar outra coisa que ficou evidente na avaliação. Nem toda correção envolve dissolver tudo.
Antes de acrescentar qualquer coisa, vale entender o que exatamente incomoda. É disso que trata a consulta.
Dissolver dói?
É comparável à aplicação do preenchimento, com anestésico tópico.
Vou ficar pior do que antes de preencher?
A pele tende a retornar ao estado anterior. A sensação de “murchou” logo após a dissolução costuma ser transitória.
Posso preencher de novo depois?
Sim, respeitando um intervalo e com um plano refeito a partir do diagnóstico.
E se o produto não for ácido hialurônico?
Bioestimuladores e produtos permanentes não têm reversão análoga. A conduta é outra e precisa ser individualizada — mais um motivo para saber sempre o que foi aplicado em você.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.