Dez produtos não fazem uma rotina melhor. O que realmente muda a pele, onde o gasto se justifica e por que menos costuma render mais.
Existe um termo que virou moda para descrever quem gosta de qualidade mas escolhe com intenção: frugal chic. Não é comprar o mais barato — é saber onde vale investir e onde o excesso não acrescenta nada.
Aplicado à pele, esse raciocínio resolve boa parte das frustrações de quem gasta muito e vê pouco.
Uma rotina de dez produtos custa mais, exige mais tempo e — o ponto que quase ninguém considera — aumenta o risco de irritação.
Quando muitos ativos se sobrepõem, a barreira cutânea se compromete. A pele fica sensível, avermelhada, às vezes descamando. E aí acontece o pior dos cenários: você suspende tudo, inclusive o que estava funcionando.
Mais importante do que a quantidade é cada produto ter uma função clara. Se você não sabe dizer o que um item faz na sua rotina, ele provavelmente não precisa estar lá.
Dr. João Victor sobre o que significa ser frugal chic na dermatologia.
Fotoproteção. É o item de maior retorno da dermatologia inteira. Previne envelhecimento, mancha e câncer de pele. Vale pagar por um que você use todo dia com prazer — porque o melhor protetor é o que não fica no armário.
O ativo principal do seu caso. Retinoide, clareador, ativo para acne — o que a sua pele precisa. Aqui a formulação e a concentração importam.
Hidratação adequada ao seu tipo de pele. Não é luxo: é o que sustenta a barreira e permite usar os ativos.
Três coisas. Para a maioria das pessoas, isso é a rotina.
Antes de comprar qualquer coisa, três perguntas resolvem a maior parte das decisões:
1. Qual problema meu isso resolve? Se a resposta for vaga, provavelmente não resolve nenhum.
2. Já tenho algo que faz isso? Se sim, o novo produto substitui ou só duplica?
3. Vou usar isso daqui a três meses? Resultado em pele se constrói com constância; produto que cansa não entrega.
Vale dizer com clareza, porque contraria o instinto de consumo: a maior parte do resultado vem de poucas coisas feitas com constância, não de muitas coisas feitas por um mês.
Uma rotina simples, seguida por um ano, entrega mais do que uma rotina elaborada seguida por seis semanas. E sai mais barata.
É a mesma lógica da jaqueta de couro que dura a vida toda contra a sintética que descasca em uma estação.
Uma rotina desenhada para a sua pele custa menos e entrega mais do que uma prateleira cheia.
Preciso de sérum?
Depende do que ele carrega. “Sérum” é uma forma de apresentação, não uma função.
Produto de farmácia serve?
Sim. Preço não é sinônimo de eficácia; formulação e adequação ao seu caso são.
Posso usar vários ativos juntos?
Alguns combinam, outros competem ou irritam. É exatamente o tipo de decisão que vale levar à consulta.
Quanto tempo para ver resultado?
Semanas a meses, conforme o ativo. Trocar antes disso é recomeçar.
Vale fazer procedimento se a rotina não está boa?
Procedimento potencializa quem tem base. Sem rotina e sem fotoproteção, parte do investimento se perde.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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