Hirsutismo é o crescimento de pelos grossos e escuros, na mulher, em áreas típicas do padrão masculino, como buço, queixo, peito e barriga. A causa mais comum é a síndrome dos ovários policísticos. O tratamento combina o controle hormonal, com prescrição médica, e a remoção do pelo que já cresceu.

Neste artigo
Pelo em excesso tem causa.
Uma consulta avalia o padrão dos pelos e indica a investigação de cada caso.
Agendar consultaPelos escuros no buço, no queixo, em volta dos mamilos ou na linha da barriga, que voltam logo depois de cada depilação. Para muitas mulheres, a queixa vem acompanhada de vergonha e de anos tirando os pelos em silêncio. Quando esses pelos são grossos e seguem o desenho típico do corpo masculino, o nome é hirsutismo.
O hirsutismo não é uma doença em si. É um sinal, e quase sempre aponta para uma diferença no modo como o corpo produz ou responde aos hormônios masculinos, os androgênios, que toda mulher também tem. Este texto explica o que é, por que aparece, quando a investigação não pode esperar e como se trata.
Em 30 segundos
1 O hirsutismo se trata em duas frentes: controle hormonal e remoção do pelo que já existe.
2 A síndrome dos ovários policísticos está por trás da maior parte dos casos.
3 Pelos que aumentam muito rápido, ou voz que engrossa, pedem investigação sem demora.
O corpo tem dois tipos de pelo. O velo é fino, curto e claro, aquela penugem quase invisível. O pelo terminal é grosso, longo e escuro, como o do couro cabeludo e o das sobrancelhas. Sob a ação dos androgênios, alguns folículos trocam o velo por pelo terminal.
No hirsutismo, essa troca acontece na mulher em áreas onde ela é típica do homem: buço, queixo, costeletas, pescoço, peito, em volta dos mamilos, linha da barriga, costas e coxas. Costuma começar no buço e no queixo depois da puberdade.
Na consulta, o exame avalia a quantidade e a distribuição dos pelos.
Hirsutismo não é a mesma coisa que hipertricose. Na hipertricose, o pelo aumenta acima do esperado para a idade e a etnia, em qualquer área do corpo, sem seguir o padrão masculino, e muitas vezes é fino e claro.
| Hirsutismo | Hipertricose | |
|---|---|---|
| Onde aparece | Áreas de padrão masculino | Qualquer área, às vezes o corpo todo |
| Tipo de pelo | Grosso e escuro | Muitas vezes fino e claro |
| Causa mais comum | Ação dos hormônios masculinos | Genética ou medicamentos |
Alguns medicamentos causam hipertricose, e não hirsutismo. Entre eles estão o minoxidil, a ciclosporina e a fenitoína. É uma das razões pelas quais a lista de remédios em uso entra na consulta.
Síndrome dos ovários policísticos. É a causa mais comum: está presente em 70% a 80% das mulheres com hirsutismo. Costuma vir com ciclos menstruais irregulares, acne, oleosidade, queda de cabelo no alto da cabeça e, muitas vezes, ganho de peso e resistência à insulina.
Hirsutismo idiopático. Em 5% a 20% dos casos, os hormônios e a ovulação são normais. O que muda é a sensibilidade do folículo aos androgênios, que tem um componente familiar: é comum mãe, irmãs e tias terem mais pelos que a média.
Causas menos comuns. Alterações das glândulas adrenais, como a hiperplasia adrenal congênita, o excesso de cortisol (síndrome de Cushing), o aumento da prolactina e, raramente, tumores do ovário ou da adrenal que produzem androgênios.
Medicamentos e outras situações. Testosterona, anabolizantes e outros remédios de ação androgênica podem causar hirsutismo. Na gravidez, um aumento leve dos pelos pode acontecer.
Quando a resistência à insulina está presente, a pele às vezes mostra outro sinal: a pele escura e aveludada nas dobras, explicada no artigo sobre axila, virilha e pescoço escurecidos.
A maior parte dos casos começa devagar, na adolescência ou no início da vida adulta, e piora aos poucos. Alguns sinais fogem desse padrão e pedem avaliação médica nas próximas semanas, não na próxima consulta de rotina:
Esses sinais podem indicar um excesso grande de hormônio, e a investigação inclui a busca de causas raras, como um tumor que produz androgênios.
A investigação começa pela conversa: quando os pelos começaram, como é o ciclo menstrual, se há acne, queda de cabelo, ganho de peso, uso de medicamentos e casos na família. O exame registra onde estão os pelos e em que quantidade.
Os exames de sangue dependem do quadro, e os hormônios pedidos variam conforme a suspeita: da adrenal, da tireoide, a prolactina. Glicemia e colesterol ajudam a avaliar a resistência à insulina. O ultrassom dos ovários pode ser pedido.
Em geral, a coleta não deve ser feita durante o uso de anticoncepcional hormonal, como explica o artigo sobre acne hormonal depois dos 25.
A pergunta “hirsutismo, como tratar?” tem uma resposta em duas frentes. O tratamento hormonal diminui a formação de pelos novos, e os métodos de remoção cuidam do pelo que já existe. Uma frente sozinha costuma decepcionar.
O que funciona e o que não funciona em casa. Lâmina, cera, pinça, creme depilatório e descoloração funcionam, mas o efeito é temporário, porque o folículo continua ativo. Pinça, lâmina e cera podem causar foliculite e pelo encravado, e o artigo sobre pelo encravado e foliculite mostra como reduzir esse problema. Chás, suplementos e “tratamentos naturais” não têm efeito comprovado sobre os androgênios. O que nunca fazer:
Quando precisa de médico e o que se faz. A consulta investiga as causas secundárias descritas acima, e o tratamento inclui a prescrição de medicamentos e a depilação a laser, feita na clínica. O tratamento hormonal é feito com prescrição médica e depende da causa, da idade e do desejo de engravidar. Para a maioria das mulheres que não planejam gravidez, o anticoncepcional combinado é a primeira opção. Na síndrome dos ovários policísticos, cuidar do peso e da resistência à insulina também reduz os androgênios.
A resposta é lenta, porque depende do ciclo do pelo. A recomendação é esperar pelo menos seis meses antes de mudar a dose ou trocar o remédio, e a melhora visível costuma aparecer entre seis e doze meses. O tratamento costuma ser mantido por anos.
Se o excesso de pelos incomoda, uma consulta define o diagnóstico e o tratamento indicado para o seu caso. A avaliação da pele, dos pelos e do couro cabeludo faz parte da dermatologia clínica, com a investigação conduzida conforme a causa.
O mesmo excesso de androgênios que engrossa os pelos age na pele e no couro cabeludo. Por isso o hirsutismo raramente vem sozinho:
A acne que vem do hormônio pede um plano diferente da acne da adolescência, e o tratamento da acne leva em conta a investigação hormonal. Tratar a pele e os pelos dentro do mesmo plano evita que um tratamento atrapalhe o outro.
Os pelos grossos aumentaram ou vieram junto com acne e ciclo irregular? Uma consulta avalia a pele e os pelos e indica a investigação certa para o seu caso.
Hirsutismo feminino: como tratar?
O tratamento combina o controle hormonal, com prescrição médica, e a remoção do pelo que já existe. A resposta ao remédio leva pelo menos seis meses.
Hirsutismo tem cura?
Depende da causa. Na síndrome dos ovários policísticos e no hirsutismo idiopático, o objetivo é o controle, e o tratamento costuma ser mantido por anos.
Todo pelo no buço ou no queixo é hirsutismo?
Não. Alguns pelos isolados, com ciclo menstrual regular, costumam ser variação normal. O exame mostra quando há hirsutismo.
Depilação a laser trata o hirsutismo?
O laser reduz os pelos escuros por mais tempo, mas não trata a causa hormonal. Por isso costuma ser combinado com o controle hormonal.
Minoxidil aumenta os pelos do rosto?
Pode aumentar, mas o quadro é de hipertricose, e não de hirsutismo. Quem notar mudança deve conversar com o médico que prescreveu, sem suspender por conta própria.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.