Entre agosto e setembro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de seis lotes falsificados de Dysport 500U, em três resoluções. Somado ao bioestimulador falsificado de agosto, foram quatro medidas envolvendo injetáveis estéticos em menos de um mês. Em outubro, veio mais uma: um lote falsificado de Xeomin.

O riscoFrasco sem procedência conhecida.
A conferênciaRegistro, lote e frasco aberto na sua frente.Se você faz ou pretende fazer aplicação de toxina botulínica, este texto explica exatamente o que foi proibido e o que dá para conferir antes de uma aplicação — sem precisar entender de regulação sanitária.
Em 30 segundos
1Em 2026, a Anvisa proibiu seis lotes falsificados de Dysport 500U, em três resoluções.
2Vale pedir o frasco lacrado, aberto na hora, e conferir lote e registro na Anvisa.
3Falsificações copiam a embalagem; o confiável é cruzar o lote com as listas da Anvisa.
Até setembro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização e a distribuição de seis lotes de toxina botulínica da marca Dysport, na apresentação de 500 U, todos por falsificação reconhecida pela detentora do registro. Ou seja: não são produtos vencidos nem com defeito de fabricação. São produtos que a empresa não produziu.
| Lote | Ato da Anvisa | Data |
|---|---|---|
| P22686 | RE nº 3.356/2026 | 27/08/2026 |
| P08193 | RE nº 3.480/2026 | 03/09/2026 |
| U14534 | RE nº 3.480/2026 | 03/09/2026 |
| P08191 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
| P08192 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
| P22368 | RE nº 3.717/2026 | 21/09/2026 |
Três resoluções em pouco menos de um mês. O que isso indica não é um problema com o produto original: indica que há material falsificado circulando por canais que não são os do fabricante, e que a fiscalização vem identificando lotes sucessivos.
Em outubro, um lote de Xeomin. Em 13 de outubro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de unidades de Xeomin identificadas como lote NDC 46785-162-03 (RE nº 4.009/2026). A detentora do registro comunicou à agência ter encontrado no mercado unidades com divergências na identificação do lote, nas datas de fabricação e validade, na arte gráfica e na rotulagem da caixa — falsificação, nos termos do próprio ato. Armazenar, vender, distribuir, transportar e usar esse lote está proibido.
No mesmo período, a Anvisa também proibiu um bioestimulador falsificado, identificado por divergência de embalagem: o falsificado vinha em caixa branca, enquanto o original é magenta. Nem toda falsificação é grosseira assim, mas vale olhar.
Lista conferida em 18 de outubro de 2026. Novos lotes podem ser incluídos — a fonte oficial é o sistema de normas da Anvisa.
Nada disso significa que a toxina botulínica seja insegura. Significa que a procedência do produto é parte do procedimento, e não um detalhe administrativo. O produto falsificado não tem controle de fabricação, de conteúdo ou de conservação: não se sabe o que há dentro do frasco, nem em que quantidade. É por isso que a pergunta sobre origem não é indelicadeza do paciente — é a pergunta certa.
Medicamentos injetáveis de uso estético têm valor alto por frasco e demanda crescente. Isso cria um mercado paralelo, em que o produto circula fora da cadeia oficial de distribuição — importação irregular, revenda entre terceiros, venda por redes sociais e aplicativos de mensagem.
A cadeia oficial funciona de outro jeito: o fabricante vende a distribuidores autorizados, que vendem a serviços de saúde cadastrados, com nota fiscal e rastreabilidade do lote em cada etapa. Quando um frasco aparece fora dessa cadeia, não há como saber onde ele esteve, nem em que temperatura foi transportado — o que importa, porque toxina botulínica é um produto termossensível.
A orientação vale para qualquer serviço e para qualquer marca de toxina.
1. Peça para ver o frasco. Ele deve chegar lacrado e ser aberto na sua frente. Esse é um pedido comum e nenhum profissional deve se incomodar com ele.
2. Confira o lote e a validade impressos no frasco e na caixa. Compare com a lista de lotes proibidos acima. A Anvisa publica cada nova proibição no portal oficial.
3. Verifique o registro na Anvisa. Todo produto regularizado tem número de registro no rótulo, e ele pode ser consultado gratuitamente no site da agência.
4. Pergunte de onde vem o produto. Distribuidor autorizado, com nota fiscal. É uma informação que qualquer serviço regular tem à mão.
5. Guarde o registro da sua aplicação. Marca, lote e validade do que foi usado em você. Se houver qualquer questionamento depois, esse dado é o que permite rastrear.
Se o profissional não mostra o frasco, ou se a resposta sobre procedência é evasiva, isso é informação.
Frasco lacrado e aberto na sua frente, lote e validade conferidos, registro na Anvisa e procedência com nota fiscal: são verificações simples, que qualquer serviço regular aceita fazer antes da aplicação.
Se você aplicou toxina recentemente e não sabe qual foi o lote, o caminho é pedir essa informação a quem aplicou — todo serviço de saúde é obrigado a manter esse registro no prontuário.
Se você apresentar qualquer sintoma que não faça parte do esperado para o procedimento, procure atendimento médico e leve a informação do produto usado.
Nem sempre dá. Falsificações recentes reproduzem a embalagem com boa fidelidade. Por isso a conferência mais confiável não é visual: é o cruzamento do número do lote com as listas de proibição da Anvisa e a procedência documentada do produto.
São marcas diferentes de toxina botulínica tipo A, com formulações e unidades de dosagem próprias. Qualquer uma delas pode ser alvo de falsificação, e a conferência de lote vale igualmente para todas.
No portal da Anvisa, nas seções de alertas e resoluções. As medidas também costumam ser noticiadas pela imprensa no dia da publicação no Diário Oficial.
Não há como responder, porque não se sabe o que há dentro do frasco. A duração esperada de uma aplicação regular é estimada a partir de estudos feitos com o produto original.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, com atuação em dermatologia clínica, cirúrgica e estética, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Próxima revisão prevista: março de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo.
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Atualizado em 18 de outubro de 2026.