Nem todo caroço com conteúdo é cisto sebáceo. Há cistos com queratina, com óleo e com muco, e há falsos cistos, sem parede própria. Cada um tem um lugar preferido, um aspecto e uma conduta.

Cisto epidérmicoO “sebáceo”, com o ponto central.
Cisto mixoide digitalA bolinha perto da unha.Neste artigo
Um caroço que aparece na pele e não some costuma ganhar o mesmo nome: cisto sebáceo. Mas existem vários tipos de cisto, e alguns caroços que parecem cisto não são.
Este guia mostra os tipos mais comuns, onde cada um aparece e como ele costuma ser. A tabela ajuda a se orientar, mas quem confirma o diagnóstico é o exame.
Em 30 segundos
1O cisto mais comum é o epidérmico, que o povo chama de cisto sebáceo.
2Lugar e aspecto dão pistas, mas o diagnóstico vem do exame.
3Nos cistos verdadeiros, a retirada só resolve quando sai a parede inteira.
Cisto é uma bolsa fechada, com conteúdo dentro. No cisto verdadeiro, essa bolsa tem uma parede de pele própria, que produz o conteúdo. É por isso que espremer não resolve: a parede continua lá e volta a encher.
Os falsos cistos, ou pseudocistos, não têm essa parede. São acúmulos de muco ou de líquido no tecido, como a mucocele do lábio e o cisto mixoide do dedo.
| Tipo | Onde costuma aparecer | Como é |
|---|---|---|
| Epidérmico (“sebáceo”) | costas, rosto, pescoço, atrás da orelha | firme, com um ponto escuro no centro |
| Triquilemal | couro cabeludo | liso, firme, sem ponto central |
| Milium | rosto, em volta dos olhos | bolinha branca e dura, de 1 a 2 mm |
| Esteatocistoma | peito, axilas, braços | amarelado, com óleo; às vezes muitos |
| Dermoide | cauda da sobrancelha, pálpebra, nariz | presente desde a infância |
| Mixoide digital | dedo, perto da unha | brilhante; pode marcar a unha |
| Mucocele | parte de dentro do lábio de baixo | mole, azulada, enche e esvazia |
| Hidrocistoma | pálpebras | translúcido ou azulado |
É o cisto mais comum da pele. O nome popular é impreciso: o conteúdo não é sebo, e sim queratina, uma massa branca e pastosa, de cheiro forte, produzida pela parede do cisto.
Costuma aparecer nas costas, no rosto, no pescoço e atrás da orelha. É firme, se mexe sob a pele e muitas vezes tem um ponto escuro no centro. Pode passar anos parado e, de repente, inflamar, doer ou romper.
Uma variante surge depois de cortes e cirurgias, quando um pedaço de pele fica preso embaixo: é o cisto de inclusão. Como é a retirada está na página de remoção de cisto sebáceo, e o que fazer quando ele inflama está no artigo sobre cisto sebáceo inflamado.
Também chamado de cisto pilar, é parecido com o epidérmico, mas cerca de 8 em cada 10 aparecem no couro cabeludo. Costuma ser liso e firme, sem o ponto central, e a tendência pode passar na família.
Muitas vezes há mais de um. Quem sente um caroço liso na cabeça ao pentear o cabelo geralmente está diante de um cisto triquilemal.
O milium é um cisto minúsculo, de 1 a 2 milímetros, branco e duro, logo abaixo da superfície. Aparece sobretudo no rosto, em volta dos olhos e nas bochechas. É muito comum em recém-nascidos, em quem some sozinho.
No adulto, tende a ficar. Não sai espremendo, porque está preso sob uma camada fina de pele. Ele e outras bolinhas benignas do rosto estão no artigo sobre milium, siringoma e xantelasma.
É um cisto amarelado, de consistência mais mole, cheio de um líquido oleoso. Pode ser único, mas às vezes aparecem muitos ao mesmo tempo, sobretudo no peito, nas axilas e nos braços, a partir da puberdade.
Na forma com muitos cistos, a tendência costuma ser herdada, e é comum outra pessoa da família ter o mesmo quadro. O tratamento do esteatocistoma não é feito na clínica, mas a consulta ajuda a confirmar o diagnóstico e a separá-lo de outros caroços.
O cisto dermoide se forma ainda no desenvolvimento do bebê e pode conter pelos e glândulas. Na pele, aparece mais na cauda da sobrancelha, na pálpebra e no nariz, e costuma ser notado na infância.
Antes da retirada, o médico pode pedir um ultrassom para ver até onde ele vai. O mesmo nome é usado para um tipo de cisto de ovário, que é outro assunto e é tratado pelo ginecologista.
É uma bolinha brilhante no dorso do dedo, entre a última dobra e a unha. Não tem parede própria e muitas vezes está ligado ao desgaste da articulação do dedo, a artrose.
Quando fica perto da base da unha, pode deixar um sulco que corre ao longo dela. Volta com frequência, qualquer que seja o tratamento. Na clínica, o cisto mixoide digital é tratado no consultório, e a técnica é escolhida caso a caso.
A mucocele é uma bolinha mole e azulada na parte de dentro do lábio de baixo. Ela se forma quando um dos pequenos canais de saliva se rompe, quase sempre depois de mordidas no lábio, e a saliva fica presa no tecido.
É comum encher, estourar ao comer e voltar. Quando se repete, a retirada costuma incluir a pequena glândula de saliva envolvida, para diminuir a chance de voltar. A retirada da mucocele não é feita na clínica: quem cuida dela é o cirurgião-dentista, de preferência o estomatologista.
É um cisto pequeno, liso e translúcido ou azulado, que aparece nas pálpebras e em volta dos olhos. Vem das glândulas de suor da região e não dói.
Por estar perto do olho, o diagnóstico precisa de exame, para separá-lo de outras lesões da pálpebra.
Alguns caroços parecem cisto e são outra coisa. O lipoma é gordura agrupada sob a pele, mais mole e borrachudo, sem ponto central; a diferença está no artigo sobre cisto e lipoma.
O pilomatricoma é um tumor benigno do folículo do pelo, duro como pedra, comum em crianças, na cabeça e no pescoço. O cisto sinovial, no punho e na mão, vem da articulação e não da pele.
Furúnculo, cisto pilonidal e nódulos da acne também confundem. Por isso a avaliação vem antes de qualquer tratamento.
Na consulta, o exame define o tipo de cisto e se ele deve ser retirado, drenado, tratado de outra forma ou apenas acompanhado.
Caroço na pele tem nome, e o exame descobre qual.
Qual o tipo de cisto mais comum na pele?
O cisto epidérmico, que o povo chama de cisto sebáceo. Ele guarda queratina, e não sebo, e aparece mais nas costas, no rosto e no pescoço.
Cisto na cabeça é cisto sebáceo?
Na maioria das vezes, o cisto do couro cabeludo é o triquilemal, parecido com o epidérmico, mas sem o ponto central e com tendência familiar.
Dá para tirar cisto espremendo?
Não. Nos cistos verdadeiros, a parede fica e volta a encher. Espremer ainda pode inflamar o cisto e piorar a cicatriz.
Cisto vira câncer?
É muito raro. O que preocupa é o caroço que não é cisto, por isso a lesão nova ou que muda deve ser examinada.
O cisto some sozinho?
O milium do recém-nascido e algumas mucoceles desaparecem. Os cistos verdadeiros do adulto costumam ficar ou voltar.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.