Assimetria, bordas irregulares, cor variada, diâmetro e evolução: os critérios que separam uma pinta comum de uma que precisa ser avaliada.
A maior parte das pintas é benigna e permanece assim a vida inteira. O que importa não é ter muitas ou poucas: é perceber quando uma delas muda.
O melanoma diagnosticado precocemente tem alta chance de cura. O mesmo melanoma percebido tarde é outra doença, com outro prognóstico. A diferença, na prática, costuma ser o intervalo entre notar e procurar avaliação.
A regra clássica usa cinco letras, e serve como triagem — não como diagnóstico:
Dos cinco, o E é o mais importante. Uma pinta estável há vinte anos preocupa menos que uma pinta pequena e regular que mudou nos últimos três meses.
Dr. João Victor sobre os sinais de alerta em pintas.
Existe um critério complementar que é simples e útil: as pintas de uma mesma pessoa tendem a se parecer entre si, como irmãs.
Quando uma lesão destoa visivelmente das outras — mais escura, maior, com formato diferente —, ela merece atenção mesmo que não preencha os cinco critérios acima.
É um dos motivos pelos quais olhar o conjunto vale mais do que examinar uma pinta isolada.
Ter fatores de risco não significa que algo vá acontecer; significa que o acompanhamento periódico deixa de ser opcional.
É um exame que documenta as lesões da pele com dermatoscopia — um aparelho que amplia e ilumina a lesão, permitindo ver estruturas invisíveis a olho nu — e registra imagens para comparação futura.
O valor dele está justamente na comparação: uma lesão fotografada hoje e reexaminada em um ano permite identificar mudanças sutis que ninguém perceberia de memória.
Não é exame para todo mundo em toda consulta. Varia conforme o número de pintas, o padrão delas e os fatores de risco.
Alteração em pinta é motivo para avaliação, não para esperar. A dermatoscopia é feita na própria consulta.
Pinta que coça é sinal ruim?
Pode ser, e entra no critério de evolução. Vale avaliar, sem pânico.
Posso remover pinta por estética?
Sim, com avaliação prévia e, quando indicado, exame do material removido.
Pinta nasce ao longo da vida?
Sim, sobretudo até a terceira ou quarta década. Lesões novas depois dos quarenta merecem mais atenção.
De quanto em quanto tempo devo avaliar?
Depende dos fatores de risco. Para quem os tem, o acompanhamento costuma ser anual.
Protetor solar previne?
Reduz o dano acumulado, que é o principal fator modificável. Não elimina o risco, mas muda a estatística.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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