Ar seco e banho quente removem a proteção natural da pele. O que muda no inverno, quem sente mais e o que realmente recompõe a barreira.
Sua pele repuxa, fica vermelha ou descama mais nessa época? Não é frescura, e tem explicação fisiológica.
No tempo frio, dois fatores se somam: o ar seco, que aumenta a perda de água pela pele, e o banho quente e demorado, que remove a camada de lipídios que faz a proteção natural. O resultado é uma barreira cutânea comprometida.
A camada mais externa da pele funciona como uma parede: células dispostas como tijolos e lipídios fazendo o papel de argamassa. Essa estrutura retém água dentro e mantém irritantes fora.
Quando a argamassa se dissolve — pelo ar seco, pela água quente, pelo sabonete agressivo —, a água escapa e os irritantes entram. Daí vêm, em sequência:
É por isso que o inverno costuma ser a estação em que a pessoa “passa a ter pele sensível” — e o ativo que usava o ano todo de repente arde.
Dr. João Victor sobre os cuidados com a pele no tempo frio.
Quem já tem dermatite atópica, rosácea, psoríase ou pele acneica sente os efeitos de forma mais intensa — nesses quadros a barreira já é o ponto frágil, e o frio agrava o que já existe.
Também sentem mais os extremos de idade, quem toma banhos muito quentes por hábito e quem passa o dia em ambiente com ar-condicionado ou aquecedor.
Baixar a temperatura da água. É o ajuste de maior impacto e o mais resistido. Água morna, banho mais curto.
Trocar o sabonete. Fórmulas suaves, sem excesso de tensoativo, aplicadas só onde há necessidade — não é preciso ensaboar o corpo inteiro todos os dias.
Hidratar com a pele ainda úmida, nos primeiros minutos após o banho. Isso retém a água que ainda está na pele.
Escolher o hidratante certo. Ceramidas ajudam a repor a argamassa; ácido hialurônico atrai água; emolientes e oclusivos seguram. A combinação depende da sua pele.
Manter a fotoproteção. Frio não significa menos radiação — e no inverno ela costuma ser a primeira coisa abandonada.
Umidificar o ambiente, quando o ar interno é muito seco.
Descamação intensa, placas delimitadas, coceira que atrapalha o sono, fissuras que sangram ou vermelhidão persistente não são o inverno normal. São sinais de que existe um quadro de pele por trás — e ele tem tratamento próprio.
Se todo ano se repete o mesmo ciclo, vale investigar em vez de administrar a crise.
Pele que repuxa e descama todo inverno tem causa e tem conduta. A avaliação ajusta a rotina à sua estação.
Posso continuar usando ácidos no inverno?
Em geral sim, com ajuste de frequência e reforço de hidratação. É decisão individual.
Hidratante corporal serve no rosto?
Costuma ser mais oclusivo do que a pele do rosto pede. Melhor separar.
Óleo hidrata?
Óleo sela, mas não repõe água. Funciona melhor sobre a pele úmida, depois do hidratante.
Quantas vezes por dia hidratar?
No mínimo após o banho. Pele muito seca pode precisar de uma segunda aplicação.
Preciso de protetor solar mesmo sem sol?
Sim. A radiação ultravioleta atravessa nuvens e não depende de calor.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
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