Cicatriz de acne: os tipos e o que trata cada um

Cicatriz de acne não é toda igual. As do tipo picador de gelo, as onduladas e as em forma de caixa têm profundidades diferentes e respondem a tratamentos diferentes. Saber qual é qual é o primeiro passo do plano.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor Bezerra Médico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 30 de outubro de 2026
A acne que marca: acne inflamada, que pode deixar cicatrizA acne que marca Acne inflamada, que pode deixar cicatriz.
Por dentro: a mesma queixa em corte, em ilustraçãoPor dentro A mesma queixa em corte, sob a pele.
Figura 1. À esquerda, foto real da queixa; à direita, o que acontece por baixo da pele. Fotos: à esquerda, foto real de Sedef94 (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons; à direita, ilustração.

Quem tem cicatriz de acne costuma ouvir falar de muitos tratamentos ao mesmo tempo: laser, peeling, microagulhamento, subcisão. A dúvida é qual deles resolve.

A resposta depende do tipo de cicatriz. Elas têm formatos e profundidades diferentes, e um tratamento que funciona bem para uma pode fazer pouco pela outra.

Em 30 segundos

1 Existem três tipos principais de cicatriz de acne, e quase sempre estão misturados.

2 Cada tipo responde a uma técnica: subcisão, TCA CROSS, peeling ou dermoabrasão.

3 O plano costuma combinar técnicas em mais de uma sessão.

Por que a acne deixa cicatriz

A inflamação da acne, sobretudo nas lesões profundas e dolorosas, danifica o colágeno da pele. Na cicatrização, o tecido pode ficar com menos colágeno do que antes, formando uma depressão, ou com mais, formando um relevo.

As cicatrizes deprimidas, chamadas de atróficas, são as mais comuns no rosto. Uma classificação publicada no Journal of the American Academy of Dermatology divide essas cicatrizes em três tipos, usados até hoje para orientar o tratamento.

Antes de tratar a cicatriz, a acne precisa estar controlada. Lesões novas continuam deixando marcas, e o tratamento da acne vem primeiro.

Ilustração em corte da pele com pinos numerados: cicatrizes de acne dos tipos rolling, boxcar e ice pick

Rolling

  • 1 Traves fibrosas puxam a pele para baixo

Boxcar

  • 2 Bordas retas fundo plano, como uma caixa

Ice pick

  • 3 Poço estreito fundo e fino, chega à derme profunda
Figura 2. Cada tipo de cicatriz de acne tem um formato, e o tratamento muda com ele: a subcisão solta as traves, e o ácido pontual age no poço estreito. Ilustração.

Os três tipos de cicatriz

  • Picador de gelo (ice pick): estreita e profunda, como um furinho na pele. É mais funda do que larga e chega às camadas mais profundas da pele. É o tipo mais frequente.
  • Ondulada (rolling): larga, com bordas suaves, que deixa a pele com aspecto ondulado. Acontece porque traves de tecido fibroso puxam a pele para baixo. Costuma melhorar quando se estica a pele com os dedos.
  • Em caixa (boxcar): redonda ou oval, com bordas bem marcadas e fundo plano, como uma pequena cratera. Pode ser rasa ou profunda.

Na maioria das pessoas, os três tipos aparecem juntos, em proporções diferentes. Por isso o plano quase sempre combina técnicas.

Ondulada: subcisão

Como a cicatriz ondulada é causada por traves fibrosas que prendem a pele, o tratamento mais direto é soltar essas traves. É o que faz a subcisão.

Com anestesia local, uma agulha especial é passada sob a cicatriz para cortar as traves. A pele, liberada, volta a subir. O sangramento sob a pele ajuda a formar colágeno novo no espaço. Os detalhes estão na página de subcisão.

Roxos e inchaço são esperados nos primeiros dias. O resultado aparece aos poucos, e pode ser preciso mais de uma sessão.

Picador de gelo: TCA CROSS

A cicatriz em picador de gelo é estreita e funda demais para melhorar só com tratamentos de superfície. A técnica mais usada é o TCA CROSS.

Nela, o ácido tricloroacético em alta concentração é aplicado com um palito fino só no fundo de cada cicatriz. O ácido provoca uma reação localizada que estimula colágeno novo e, com o tempo, vai fechando o furinho.

  • A aplicação é ponto a ponto, sem atingir a pele ao redor.
  • Formam-se pequenas crostas, que caem em alguns dias.
  • Em geral, são necessárias algumas sessões, com intervalo entre elas.

Em caixa: técnicas que nivelam a pele

As cicatrizes em caixa mais rasas respondem bem a técnicas que renovam a superfície da pele e estimulam colágeno:

  • Microagulhamento: microperfurações que estimulam a produção de colágeno, com recuperação rápida.
  • Peeling químico: inclusive com ácido tricloroacético, em concentração escolhida conforme a profundidade. O artigo sobre peeling químico explica cada ácido.
  • Dermoabrasão: remove as camadas superficiais da pele de forma controlada, com anestesia, para nivelar as bordas. A recuperação é mais longa, com crostas e vermelhidão nas primeiras semanas.
  • Laser de CO₂ fracionado: pode entrar em parte dos casos. Não é indicado em pele negra, pelo risco de manchas, e a data da sessão é combinada depois da avaliação.

As cicatrizes em caixa mais profundas costumam precisar de mais de uma técnica, às vezes com subcisão junto.

Mancha não é cicatriz

Depois que a espinha some, muitas vezes fica uma marca escura ou avermelhada no lugar. Essa marca é uma mancha, e não uma cicatriz: a pele está plana, sem depressão.

As manchas costumam clarear com o tempo, com protetor solar e com tratamento de manchas. Já a cicatriz deprimida não some sozinha. Passar a mão sobre a pele, com luz lateral, ajuda a perceber a diferença.

Há também as cicatrizes elevadas, mais comuns no tronco e no queixo, que formam um relevo firme. Elas pedem outro tratamento, como infiltração e silicone, e não as técnicas deste artigo.

Recuperação de cada técnica

  • Microagulhamento: vermelhidão por um a três dias.
  • Subcisão: roxos e inchaço, que costumam clarear em algumas semanas.
  • TCA CROSS: pequenas crostas nos pontos tratados, que caem em alguns dias.
  • Peeling: descamação, mais intensa quanto mais profundo o ácido.
  • Dermoabrasão e laser de CO₂: recuperação mais longa, com crostas e vermelhidão nas primeiras semanas.

Em todas, o protetor solar é obrigatório depois, para evitar manchas na pele em recuperação.

Como é montado o plano

Na consulta, a pele é examinada com luz lateral, que deixa o relevo das cicatrizes mais visível. O plano leva em conta:

  • quais tipos de cicatriz predominam e em que regiões;
  • o tom de pele e a tendência a manchar;
  • o tempo de recuperação que a pessoa pode ter;
  • se a acne está controlada.

O resultado é progressivo. Cicatriz de acne melhora bastante com tratamento, mas raramente desaparece por completo. O objetivo é suavizar o relevo e deixar a pele mais uniforme. As opções estão reunidas na página de tratamento de cicatrizes de acne.

Saber o tipo da cicatriz é o que define o tratamento.

Perguntas frequentes

Cicatriz de acne tem cura?
Ela melhora bastante com tratamento, mas raramente desaparece por completo. O objetivo é suavizar o relevo e uniformizar a pele.

Qual o melhor tratamento para cicatriz de acne?
Depende do tipo. A ondulada responde à subcisão, a de picador de gelo ao TCA CROSS e a em caixa a técnicas que nivelam a pele. Quase sempre o plano combina mais de uma.

Quantas sessões são necessárias?
Varia com o tipo, a profundidade e a técnica. Em geral, são algumas sessões, com intervalo entre elas.

Posso tratar a cicatriz com acne ativa?
O ideal é controlar a acne antes, porque lesões novas continuam deixando marcas.

O tratamento dói?
Os procedimentos são feitos com anestesia local ou anestésico na pele, conforme a técnica.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Jacob CI, Dover JS, Kaminer MS. Acne scarring: a classification system and review of treatment options. Journal of the American Academy of Dermatology, 2001. Acessar
  2. Wong V. Acne scarring. DermNet; publicado em outubro de 2023. Acessar

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