Estrias vermelhas e brancas: por que o tratamento não é o mesmo

Estria vermelha e estria branca são a mesma cicatriz em fases diferentes, e respondem de forma diferente. A cor e o tempo de cada estria definem o tratamento e o resultado que se pode esperar.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 9 de outubro de 2026
Estrias vermelhas recentes, rosadas e finas, na pele do flancoEstria vermelha · recenteFaixas rosadas a arroxeadas, ainda ativas.
Estrias brancas antigas, finas e afundadas, na pele do quadrilEstria branca · antigaFaixas finas, claras e afundadas.
Figura 1. Como cada uma aparece na pele. Fotos: Wikimedia Commons (domínio público) e Pexels.

A primeira coisa que decide o resultado de um tratamento de estria é a cor dela. Estria vermelha e estria branca são a mesma lesão em momentos diferentes, e respondem de forma tão distinta que tratá-las da mesma maneira é uma das causas mais comuns de frustração.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 nos Actas Dermo-Sifiliográficas reuniu os estudos sobre o tratamento de estrias. O que ela mostra cabe em três frases: estria recente responde melhor que estria antiga, a combinação de técnicas rende mais que uma técnica isolada e nenhum tratamento faz a estria desaparecer.

Em 30 segundos

1Estria recente responde melhor que estria antiga.

2A combinação de técnicas rende mais que uma técnica isolada.

3Nenhum tratamento faz a estria desaparecer.

Vermelha e branca: o que muda

A estria se forma quando a pele é distendida mais rápido do que a sua matriz de colágeno e elastina consegue acompanhar — no estirão de crescimento, na gestação, no ganho rápido de peso ou de massa muscular. A fibra se rompe, e no lugar fica uma cicatriz linear.

A estria vermelha é a fase recente. A cor vem de vasos: há inflamação e vascularização ativas. É nesta fase que os tratamentos têm mais a oferecer, porque a intervenção acontece antes de as alterações da pele se tornarem persistentes.

A estria branca é a fase madura. O vaso regrediu, a pigmentação se perdeu e a cicatriz está estabelecida. Ela melhora, mas melhora menos, e o objetivo passa a ser textura, profundidade e cor.

A conclusão prática vale ser dita logo: estria recente é janela de oportunidade. E a mesma pessoa pode ter, na mesma região, estrias em fases diferentes, o que muda o plano de uma área para outra.

Ilustração em corte da pele com pinos numerados: na estria vermelha, vasos dilatados e colágeno rompido; na estria branca, fibras retas de cicatriz

Camadas da pele

  • 1Epidermecamada de fora
  • 2Dermecolágeno, vasos, folículo e glândula
  • 3Hipodermegordura

Estria vermelha

  • 4Sulco rosadopele afundada e avermelhada
  • 5Vasos dilatadosinflamação ainda ativa
  • 6Colágeno estiradofibras rompidas e desorganizadas

Estria branca

  • 7Sulco brancopele fina e brilhante
  • 8Fibras retascolágeno de cicatriz, poucos vasos
Figura 2. O que muda por baixo da pele. Na vermelha, vasos dilatados e colágeno rompido; na branca, fibras retas de cicatriz. Ilustração.

O que tem melhor evidência

Entre as opções avaliadas na revisão, três aparecem com os melhores níveis de evidência: o laser de CO₂ fracionado, o retinoide tópico — sobretudo nas estrias recentes — e a radiofrequência microagulhada.

No retinoide tópico, a concentração decide. Nos estudos com a concentração mais alta houve melhora significativa; com a concentração mais baixa, o resultado não se diferenciou do placebo. Os esquemas estudados duraram cerca de doze semanas. Não é “usar um ácido”: é usar o ativo certo, na concentração certa e pelo tempo certo, com prescrição.

O microagulhamento estimula colágeno por microperfurações controladas da pele. Num estudo randomizado com 40 pacientes, ele e o laser de CO₂ fracionado reduziram a largura das estrias, sem diferença entre os dois; em outro estudo, com 33 pacientes, o resultado favoreceu o laser. É uma das técnicas usadas na clínica para estrias — veja microagulhamento. O peeling de ácido glicólico também melhorou textura e vermelhidão contra placebo num estudo controlado.

O laser de CO₂ fracionado também faz parte dos tratamentos da clínica para estrias. Ele remodela o colágeno de forma mais profunda, com recuperação mais longa, e a indicação depende do fototipo e da área. O que ele faz e quem pode fazer estão em laser de CO₂ fracionado.

A radiofrequência microagulhada aparece com evidência relevante, mas a radiofrequência não faz parte dos tratamentos da clínica. Quando essa é a via indicada, a avaliação diz isso com clareza.

O que não funciona

Esta seção é curta e provavelmente a mais útil.

Manteiga de cacau e azeite de oliva não previnem estrias na gravidez. Os estudos que testaram esses produtos não mostraram diferença significativa em relação a não usar, e a revisão Cochrane sobre cremes e óleos na gestação também não encontrou evidência de qualidade a favor de nenhum deles. Hidratar a pele tem outros benefícios, mas prevenir estria não é um deles.

Retinoide em concentração baixa não se diferenciou de placebo. Produto certo em quantidade insuficiente é tempo perdido.

Melhora no microscópio não é melhora no espelho. Dois tipos de laser avaliados em estrias brancas produziram alteração na biópsia sem melhora clínica visível.

Subcisão não é tratamento de estria. No estudo que a avaliou, não houve diferença de eficácia entre os grupos, e três pacientes tiveram necrose da pele. É um procedimento com indicação precisa — os “furinhos” da celulite e algumas cicatrizes de acne —, e estria não é uma delas.

Por que a combinação rende mais

A revisão é explícita: combinar tratamentos tende a dar resultado melhor que usar um só. Faz sentido mecânico. A estria tem um componente de vaso, um de pigmento e um de estrutura, e dificilmente uma única ferramenta alcança os três.

Na prática, isso vira um plano em etapas: tratar o que é inflamatório enquanto a estria é recente, trabalhar a estrutura com o que estimula colágeno e sustentar com ativo tópico entre as sessões. Quando a estria vem junto com perda de firmeza da região, comum depois de variação de peso, o bioestimulador de colágeno no corpo entra para a qualidade da pele ao redor.

O que entra em cada etapa depende da cor, da localização, do fototipo e do tempo de cada estria.

O que esperar

A estria melhora em textura, em cor e em profundidade, e isso muda bastante como a pele parece. Mas estria não desaparece: é uma cicatriz, e o objetivo do tratamento é reduzir o quanto ela aparece.

O resultado é progressivo. O tratamento tópico trabalha em escala de semanas a meses, e os procedimentos somam ao longo das sessões. Quem começa com essa expectativa costuma terminar satisfeito; quem espera a pele de antes, não.

Se as estrias surgiram depois de um emagrecimento, vale entender também o que acontece com a firmeza da pele nesse processo, em flacidez de corpo depois do emagrecimento.

Ilustração esquemática de antes e depois de estrias no quadril: estrias rosadas antes e mais claras e finas depois, ainda visíveis
Figura 3. A estria melhora em cor, textura e profundidade, mas continua lá: é uma cicatriz. A resposta varia de pessoa para pessoa. Ilustração esquemática.

Estrias no bumbum

O glúteo está entre os lugares mais comuns das estrias, ao lado da barriga, das coxas e dos seios, sobretudo no estirão da adolescência, na gestação e nas mudanças de peso. O raciocínio do tratamento não muda: as vermelhas respondem melhor, e as brancas pedem combinação de técnicas e expectativa realista.

No bumbum, a clínica combina microagulhamento, bioestimulador de colágeno (como Sculptra ou Radiesse), laser de CO₂ fracionado e ativos dermatológicos, conforme a cor e o tempo de cada estria. Quando o glúteo também perdeu firmeza ou volume, as estrias entram no mesmo plano de harmonização de glúteo.

Estria recente responde melhor que estria antiga. Uma consulta define a fase de cada estria e o plano que faz sentido para ela.

Perguntas frequentes

Estria tem cura?
Não no sentido de desaparecer. Estria é uma cicatriz, e cicatriz não volta ao estado anterior. Os tratamentos melhoram cor, textura e profundidade, às vezes de forma bem perceptível, sobretudo nas estrias recentes.

Estria branca tem tratamento?
Tem, mas melhora menos que a vermelha. Na estria branca o vaso já regrediu, e o objetivo passa a ser textura, profundidade e cor. Expectativa realista faz parte do tratamento.

Creme previne estria na gravidez?
Os estudos com manteiga de cacau e azeite de oliva não mostraram diferença na prevenção, e não há evidência de qualidade a favor de nenhum creme preventivo. Hidratar a pele tem outros benefícios, mas prevenir estria não é um deles.

Quantas sessões são necessárias?
Depende da cor, da área e da combinação escolhida. Os estudos com retinoide tópico usaram cerca de doze semanas de tratamento; os de procedimento variam bastante. A definição é feita na avaliação.

Estria de crescimento e estria de academia são diferentes?
A causa da distensão muda, o mecanismo não: pele esticada mais rápido do que a matriz de colágeno consegue acompanhar. Para o tratamento, o que importa é a cor e o tempo da estria, não a origem.

Subcisão trata estria?
Não. No estudo que avaliou a subcisão em estrias não houve diferença de eficácia, e houve necrose da pele em três pacientes. A subcisão tem indicação nos “furinhos” da celulite e em algumas cicatrizes de acne.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Algarra Sahuquillo J, Martín-Gorgojo A. Stretch Marks: Systematic Review of its Therapeutic Approach. Actas Dermosifiliogr. 2026;117:104553. doi:10.1016/j.ad.2025.104553 Acessar
  2. Brennan M, Young G, Devane D. Topical preparations for preventing stretch marks in pregnancy. Cochrane Database Syst Rev. 2012;(11):CD000066. doi:10.1002/14651858.CD000066.pub2 Acessar

Próxima revisão prevista: abril de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo. Doses e esquemas de tratamento não são informados nesta página por serem definidos individualmente.

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. O diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação médica presencial. Este conteúdo não substitui a consulta médica.

João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

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