Unha que quebra, descama, muda de cor ou de formato raramente é só estética. As causas vão de carência nutricional a fungos e doenças sistêmicas.
Unha que quebra com facilidade, descama em camadas, muda de cor ou ganha sulcos costuma ser tratada como problema de esmalte. Em boa parte dos casos não é.
A unha é um anexo da pele e reflete o que acontece no organismo. Ela cresce devagar — a da mão leva cerca de seis meses para se renovar por inteiro, a do pé mais de um ano —, o que significa que uma alteração visível hoje registra algo que começou meses atrás.
Causas externas. Contato repetido com água e detergente, remoção agressiva de cutícula, uso contínuo de esmalte e acetona, unhas postiças e alongamentos. É a categoria mais comum e a mais subestimada.
Carências nutricionais. Deficiências de ferro, zinco, biotina e proteína aparecem na unha. Não significa que suplementar resolva tudo — significa que vale investigar quando o quadro sugere.
Onicomicose. Infecção por fungos, que costuma mudar cor, espessura e a forma como a unha se descola do leito. É frequente e tem tratamento — mas exige diagnóstico, porque nem toda unha alterada é micose.
Psoríase ungueal. Produz pequenas depressões puntiformes, manchas amareladas e descolamento. Pode aparecer sem lesão de pele evidente e é confundida com micose com frequência.
Doenças sistêmicas. Alterações de tireoide, anemia e outras condições deixam marca na unha.
Medicações e quadros de estresse fisiológico intenso, que podem produzir sulcos transversais.
Dr. João Victor sobre o que as alterações nas unhas podem indicar.
Este é o ponto prático mais importante do texto: micose e psoríase ungueal se parecem, e o tratamento de uma não serve para a outra.
Antifúngico usado por meses em uma unha que não tem fungo é tempo perdido, custo perdido e, no caso dos sistêmicos, exposição desnecessária a uma medicação que pede acompanhamento.
Por isso a conduta começa por identificar o que está acontecendo — em algumas situações com exame do material da unha —, e não por prescrever o tratamento mais provável.
A faixa escura merece destaque: pode ser algo benigno e comum, mas também é a forma como o melanoma se apresenta na unha. É avaliação, não pânico.
A cutícula não é sujeira nem excesso. É a vedação entre a unha e a pele, e retirá-la abre uma porta de entrada para fungos e bactérias.
Empurrar delicadamente é diferente de cortar. Boa parte das inflamações ao redor da unha que chegam ao consultório começou numa manicure bem-intencionada.
A causa da alteração define o tratamento — e algumas exigem exame para serem confirmadas.
Esmalte enfraquece a unha?
O uso contínuo sem pausas e a remoção com acetona ressecam a lâmina. Pausas ajudam.
Biotina resolve?
Ajuda quando há deficiência. Sem deficiência, o benefício é limitado.
Quanto tempo para a unha melhorar?
Meses, porque depende do crescimento. Unha do pé pode levar mais de um ano.
Alongamento e gel podem?
Podem, com pausas e técnica cuidadosa. O problema costuma estar na remoção agressiva.
Micose de unha pega?
Pode ser transmitida, e reinfecção é comum — por isso o tratamento inclui cuidados com calçado e ambiente.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
Páginas relacionadas: Micoses e onicomicose · Dermatologia clínica · Psoríase
Leia também
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.