Doenças de pele

Unhas quebradiças: o que elas podem estar indicando

Unha que quebra, descama, muda de cor ou de formato raramente é só estética. As causas vão de carência nutricional a fungos e doenças sistêmicas.

JB
Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 7 de setembro de 2026

Unha que quebra com facilidade, descama em camadas, muda de cor ou ganha sulcos costuma ser tratada como problema de esmalte. Em boa parte dos casos não é.

A unha é um anexo da pele e reflete o que acontece no organismo. Ela cresce devagar — a da mão leva cerca de seis meses para se renovar por inteiro, a do pé mais de um ano —, o que significa que uma alteração visível hoje registra algo que começou meses atrás.

O que pode estar por trás

Causas externas. Contato repetido com água e detergente, remoção agressiva de cutícula, uso contínuo de esmalte e acetona, unhas postiças e alongamentos. É a categoria mais comum e a mais subestimada.

Carências nutricionais. Deficiências de ferro, zinco, biotina e proteína aparecem na unha. Não significa que suplementar resolva tudo — significa que vale investigar quando o quadro sugere.

Onicomicose. Infecção por fungos, que costuma mudar cor, espessura e a forma como a unha se descola do leito. É frequente e tem tratamento — mas exige diagnóstico, porque nem toda unha alterada é micose.

Psoríase ungueal. Produz pequenas depressões puntiformes, manchas amareladas e descolamento. Pode aparecer sem lesão de pele evidente e é confundida com micose com frequência.

Doenças sistêmicas. Alterações de tireoide, anemia e outras condições deixam marca na unha.

Medicações e quadros de estresse fisiológico intenso, que podem produzir sulcos transversais.

Dr. João Victor sobre o que as alterações nas unhas podem indicar.

Por que o diagnóstico vem antes do tratamento

Este é o ponto prático mais importante do texto: micose e psoríase ungueal se parecem, e o tratamento de uma não serve para a outra.

Antifúngico usado por meses em uma unha que não tem fungo é tempo perdido, custo perdido e, no caso dos sistêmicos, exposição desnecessária a uma medicação que pede acompanhamento.

Por isso a conduta começa por identificar o que está acontecendo — em algumas situações com exame do material da unha —, e não por prescrever o tratamento mais provável.

O que costuma compor o tratamento

  • Antifúngicos tópicos ou sistêmicos, quando há infecção confirmada. O tratamento é longo, porque acompanha o crescimento da unha.
  • Correção de carências, quando identificadas em avaliação — não por suplementação empírica.
  • Tratamento da doença de base, quando a unha é manifestação de outra condição.
  • Mudança de hábitos: luvas para tarefas com água e produtos, pausa de esmalte, respeito à cutícula.

Sinais que pedem avaliação sem demora

  • Faixa escura na unha, sobretudo se única, larga ou que se estende para a pele ao redor.
  • Alteração em uma unha só, sem trauma que explique.
  • Dor, inchaço ou secreção ao redor da unha.
  • Descolamento progressivo do leito.
  • Mudança rápida de formato ou espessura.

A faixa escura merece destaque: pode ser algo benigno e comum, mas também é a forma como o melanoma se apresenta na unha. É avaliação, não pânico.

Sobre a cutícula

A cutícula não é sujeira nem excesso. É a vedação entre a unha e a pele, e retirá-la abre uma porta de entrada para fungos e bactérias.

Empurrar delicadamente é diferente de cortar. Boa parte das inflamações ao redor da unha que chegam ao consultório começou numa manicure bem-intencionada.

A causa da alteração define o tratamento — e algumas exigem exame para serem confirmadas.

Perguntas frequentes

Esmalte enfraquece a unha?
O uso contínuo sem pausas e a remoção com acetona ressecam a lâmina. Pausas ajudam.

Biotina resolve?
Ajuda quando há deficiência. Sem deficiência, o benefício é limitado.

Quanto tempo para a unha melhorar?
Meses, porque depende do crescimento. Unha do pé pode levar mais de um ano.

Alongamento e gel podem?
Podem, com pausas e técnica cuidadosa. O problema costuma estar na remoção agressiva.

Micose de unha pega?
Pode ser transmitida, e reinfecção é comum — por isso o tratamento inclui cuidados com calçado e ambiente.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Leia também

Referências

  1. Biotin for the treatment of nail disease: what is the evidence? PubMed
  2. Brittle nails: response to daily biotin supplementation. PubMed
  3. Vitamins and minerals: their role in nail health and disease. PubMed

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.

João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

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