Unhas quebradiças: o que elas podem estar indicando

Unha que quebra, descama, muda de cor ou de formato raramente é só estética. As causas vão de carência nutricional a fungos e doenças sistêmicas.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor Bezerra Médico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 7 de setembro de 2026 · atualizado em 22 de outubro de 2026
Unhas frágeis: lâmina fina, que descama na pontaUnhas frágeis Lâmina fina, que descama na ponta.
O cuidado: lixar num só sentido e preservar a cutículaO cuidado Lixar num só sentido e preservar a cutícula.
Figura 1. Unha que quebra fácil tem causa, e a causa tem tratamento. Fotos: Pexels.

Unha que quebra com facilidade, descama em camadas, muda de cor ou ganha sulcos costuma ser tratada como problema de esmalte. Em boa parte dos casos não é.

A unha é um anexo da pele e reflete o que acontece no organismo. Ela cresce devagar — a da mão leva cerca de seis meses para se renovar por inteiro, a do pé mais de um ano —, o que significa que uma alteração visível hoje registra algo que começou meses atrás.

Em 30 segundos

1 A unha reflete o organismo e registra alterações que começaram meses antes.

2 Micose e psoríase ungueal se parecem, e o tratamento de uma não serve à outra.

3 Faixa escura na unha merece avaliação sem demora.

O que pode estar por trás

Causas externas. Contato repetido com água e detergente, remoção agressiva de cutícula, uso contínuo de esmalte e acetona, unhas postiças e alongamentos. É a categoria mais comum e a mais subestimada.

Carências nutricionais. Deficiências de ferro, zinco, biotina e proteína aparecem na unha. Não significa que suplementar resolva tudo — significa que vale investigar quando o quadro sugere.

Onicomicose. Infecção por fungos, que costuma mudar cor, espessura e a forma como a unha se descola do leito. É frequente e tem tratamento — mas exige diagnóstico, porque nem toda unha alterada é micose.

Psoríase ungueal. Produz pequenas depressões puntiformes, manchas amareladas e descolamento. Pode aparecer sem lesão de pele evidente e é confundida com micose com frequência.

Doenças sistêmicas. Alterações de tireoide, anemia e outras condições deixam marca na unha.

Medicações e quadros de estresse fisiológico intenso, que podem produzir sulcos transversais.

Dr. João Victor sobre o que as alterações nas unhas podem indicar.

Por que o diagnóstico vem antes do tratamento

Este é o ponto prático mais importante do texto: micose e psoríase ungueal se parecem, e o tratamento de uma não serve para a outra.

Antifúngico usado por meses em uma unha que não tem fungo é tempo perdido, custo perdido e, no caso dos sistêmicos, exposição desnecessária a uma medicação que pede acompanhamento.

Por isso a conduta começa por identificar o que está acontecendo — em algumas situações com exame do material da unha —, e não por prescrever o tratamento mais provável.

O que costuma compor o tratamento

  • Antifúngicos tópicos ou sistêmicos, quando há infecção confirmada. O tratamento é longo, porque acompanha o crescimento da unha.
  • Correção de carências, quando identificadas em avaliação — não por suplementação empírica.
  • Tratamento da doença de base, quando a unha é manifestação de outra condição.
  • Mudança de hábitos: luvas para tarefas com água e produtos, pausa de esmalte, respeito à cutícula.

Sinais que pedem avaliação sem demora

  • Faixa escura na unha, sobretudo se única, larga ou que se estende para a pele ao redor.
  • Alteração em uma unha só, sem trauma que explique.
  • Dor, inchaço ou secreção ao redor da unha.
  • Descolamento progressivo do leito.
  • Mudança rápida de formato ou espessura.

A faixa escura merece destaque: pode ser algo benigno e comum, mas também é a forma como o melanoma se apresenta na unha. É avaliação, não pânico.

Mancha escura na unha: o que pode ser

A faixa escura tem mais de uma origem, e é isso que a avaliação separa. O nome técnico da unha com pigmento escuro é melanoníquia, e ela não é um diagnóstico: é um achado. Uma revisão publicada em 2024 nos Anais Brasileiros de Dermatologia, a revista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, divide as causas em dois grupos: o pigmento pode vir das células produtoras de melanina da matriz da unha ou de outra fonte, já que sangue, fungo e bactéria também escurecem a lâmina.

O escurecimento por sangue é o mais fácil de confundir. Um trauma, às vezes pequeno ou esquecido (calçado apertado, corrida, uma pancada que não doeu), deixa sangue sob a unha. Ele costuma não formar uma faixa contínua ao longo da unha, ao contrário das lesões que vêm da melanina, e tem um sinal que só o tempo mostra: acompanha o crescimento da unha, afastando-se da base. Por isso, em alguns casos, a conduta é reavaliar algumas semanas depois, em vez de intervir na primeira consulta.

Em adultos, a causa mais frequente de faixa escura de origem melânica é a ativação dessas células, não um tumor. Atrito, medicações e doenças da unha podem desencadeá-la, e ela é mais comum em peles mais pigmentadas. Um sinal prático ajuda: quando vários dedos estão envolvidos ao mesmo tempo, a primeira hipótese é a ativação.

O que pede investigação é o conjunto oposto. Faixa em um único dedo, sem trauma que explique; faixa mais larga na base do que na ponta, em formato de triângulo; faixa que ocupa mais de dois terços da largura da unha; e pigmento que avança para a pele ao redor, na cutícula ou na dobra lateral. Esse último achado tem nome próprio, sinal de Hutchinson, e sugere melanoma sem confirmá-lo sozinho: aumenta a suspeita e indica investigação.

Antes de qualquer procedimento, existe um exame que não machuca. A onicoscopia, que é a dermatoscopia aplicada à unha, mostra a largura real da faixa, se as linhas que a formam são regulares e se o pigmento se comporta como sangue ou como melanina. Muitas vezes é esse exame, somado à história e ao acompanhamento, que resolve a dúvida.

Quando a biópsia é indicada, ela é feita no consultório. A biópsia da matriz da unha fica reservada aos casos com esse conjunto de sinais (nem toda faixa escura precisa dela) e segue o mesmo cuidado de qualquer cirurgia dermatológica no consultório, com anestesia local. O material vai para análise histopatológica, que é o exame que fecha o diagnóstico, e o laudo sai geralmente entre 7 e 14 dias úteis, dependendo do laboratório.

O que não ajuda é esperar por conta própria. Faixa escura não clareia com esmalte, base fortalecedora nem antifúngico comprado sem receita. Quem decide entre acompanhar e investigar é a avaliação. Quando o caso é de melanoma, o caminho completo está na página de melanoma em Londrina.

Sobre a cutícula

A cutícula não é sujeira nem excesso. É a vedação entre a unha e a pele, e retirá-la abre uma porta de entrada para fungos e bactérias.

Empurrar delicadamente é diferente de cortar. Boa parte das inflamações ao redor da unha que chegam ao consultório começou numa manicure bem-intencionada.

A causa da alteração define o tratamento — e algumas exigem exame para serem confirmadas.

Perguntas frequentes

Esmalte enfraquece a unha?
O uso contínuo sem pausas e a remoção com acetona ressecam a lâmina. Pausas ajudam.

Biotina resolve?
Ajuda quando há deficiência. Sem deficiência, o benefício é limitado.

Quanto tempo para a unha melhorar?
Meses, porque depende do crescimento. Unha do pé pode levar mais de um ano.

Alongamento e gel podem?
Podem, com pausas e técnica cuidadosa. O problema costuma estar na remoção agressiva.

Micose de unha pega?
Pode ser transmitida, e reinfecção é comum — por isso o tratamento inclui cuidados com calçado e ambiente.

Mancha escura na unha é sempre grave?
Não. Muitas vezes é sangue de uma pancada ou ativação das células de pigmento, duas situações benignas. O que define a conduta é o conjunto: quantos dedos, a forma da faixa, se o pigmento avança para a pele ao redor e como ela muda ao longo das semanas.

Preciso tirar a unha para investigar?
Não necessariamente. A investigação começa pela onicoscopia, um exame de observação feito na consulta. Quando a biópsia é indicada, ela é feita na matriz da unha, no consultório, e a técnica é explicada na consulta.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Biotin for the treatment of nail disease: what is the evidence? PubMed
  2. Brittle nails: response to daily biotin supplementation. PubMed
  3. Vitamins and minerals: their role in nail health and disease. PubMed
  4. Bertanha L, Noriega LF, Di Chiacchio NG, Matter A, Di Chiacchio N. Diagnóstico diferencial de lesões ungueais pigmentadas. An Bras Dermatol. 2024;99(6):799-814. doi:10.1016/j.abd.2024.01.005

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.