Urticária: como tratar a crise em casa e quando investigar

A urticária forma placas vermelhas e elevadas que coçam, mudam de lugar e somem em poucas horas. Na crise, compressa fria, roupa folgada, banho morno e o antialérgico prescrito aliviam a maior parte dos casos. Inchaço na língua ou na garganta, falta de ar ou tontura são emergência, e placas que voltam por mais de seis semanas pedem investigação.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor Bezerra Médico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 25 de outubro de 2026
No tronco: vergões vermelhos e elevados, que coçamNo tronco Vergões vermelhos e elevados, que coçam.
De perto: placas que somem e reaparecem em outro lugarDe perto Placas que somem e reaparecem em outro lugar.
Figura 1. Como a urticária aparece na pele. Fotos: מ.י.ש.הו 0 (CC0) e Enochlau (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons.

Placas vermelhas e elevadas, que coçam muito, aparecem de repente, mudam de lugar e somem em poucas horas, às vezes para voltar no fim do dia. É a urticária, um quadro comum, que assusta mais do que costuma fazer mal.

Este texto mostra como tratar a crise em casa, quais sinais pedem pronto atendimento, o que o estresse tem a ver com as placas e quando a urticária passa a pedir investigação.

Em 30 segundos

1 Na crise, compressa fria, roupa folgada e o antialérgico prescrito aliviam a coceira.

2 Inchaço na língua, falta de ar ou tontura pedem pronto atendimento, sem esperar.

3 Placas que voltam por mais de seis semanas são urticária crônica e pedem consulta.

Quando a urticária é emergência

Na maioria das vezes, a urticária incomoda, mas não é perigosa. Em uma parte pequena dos casos, ela vem junto de uma reação alérgica grave, a anafilaxia, que pode fechar a garganta e derrubar a pressão em minutos.

Procure pronto atendimento imediatamente, ou ligue 192 (SAMU), se as placas vierem com:

  • inchaço na língua ou na garganta, voz rouca ou sensação de garganta fechando;
  • falta de ar, chiado no peito ou dificuldade para engolir;
  • tontura, sensação de desmaio ou desmaio;
  • náusea e vômito junto das placas;
  • placas que se espalham pelo corpo em poucos minutos depois de um remédio, de uma picada de inseto ou de um alimento.

Nesses casos, não espere o antialérgico fazer efeito em casa e não vá dirigindo.

Inchaço só nos lábios ou nas pálpebras, sem nenhum desses sinais, é angioedema e pede avaliação médica no mesmo dia. Se o inchaço aumentar ou vier com falta de ar, passa a ser emergência.

Urticária na pele: como tratar a crise de hoje

Sem sinal de alerta, a crise costuma ser tratada em casa. O objetivo é aliviar a coceira e não alimentar o ciclo de coçar, inchar e coçar de novo.

O que ajuda:

  • compressa fria por 10 a 20 minutos sobre as placas: um pano limpo molhado em água fria, ou gelo enrolado num pano, nunca direto na pele;
  • banho morno e rápido, porque a água quente dilata os vasos e aumenta a coceira;
  • roupa folgada, de algodão, porque elástico, cinto e costura apertada fazem placas novas onde pressionam;
  • unhas curtas, porque coçar e esfregar provocam mais placas;
  • quarto fresco à noite, quando a coceira costuma piorar;
  • o antialérgico que um médico já prescreveu para você, no horário orientado, mesmo nos dias sem placa.

O antialérgico usado na urticária é o anti-histamínico de segunda geração, que na maioria das pessoas não dá sono. Ele é usado com prescrição médica: o tipo, a dose e o tempo de uso dependem do quadro. Quem nunca teve urticária, ou nunca recebeu essa orientação, precisa de avaliação antes de começar.

A urticária aguda costuma melhorar em dias a poucas semanas, e muitas vezes passa sozinha. Até lá, o tratamento serve para a pessoa dormir e atravessar os dias com menos coceira.

O que não funciona e o que nunca fazer

Algumas tentativas comuns não tratam a urticária, e outras pioram o quadro:

  • passar álcool, vinagre, pasta de dente ou receitas caseiras nas placas: irritam a pele e podem somar uma dermatite de contato à urticária;
  • tomar corticoide em comprimido por conta própria;
  • tomar anti-inflamatório para dor ou febre, como o ácido acetilsalicílico e o ibuprofeno, que pioram a urticária em parte das pessoas;
  • dobrar a dose do antialérgico, misturar dois antialérgicos ou usar o remédio de outra pessoa;
  • beber álcool durante a crise;
  • tomar banho quente ou ficar na sauna;
  • largar o remédio prescrito no primeiro dia sem placa, sem combinar com o médico.

Aumentar a dose do anti-histamínico é uma conduta prevista no tratamento da urticária, mas tem regra e acompanhamento. Feito por conta própria, troca o alívio por efeitos colaterais.

Por que a urticária aparece

A placa se forma quando células da pele chamadas mastócitos liberam histamina. Os vasos deixam sair líquido, e a pele incha em relevo. Quando o mesmo processo acontece mais fundo, o resultado é o inchaço do angioedema.

Na urticária aguda, a que dura menos de seis semanas, o gatilho mais comum na criança é uma infecção, muitas vezes uma virose, mesmo sem febre. No adulto, na maior parte das vezes, nenhum gatilho aparece. Remédios e, com menos frequência, alimentos completam a lista.

Para encontrar um padrão, um diário ajuda mais que a memória. Nos dias com placa, anote:

  • o horário em que as placas surgiram;
  • o que comeu e bebeu nas horas anteriores;
  • os remédios que tomou, inclusive para dor e gripe;
  • exercício, calor, suor, frio e roupa apertada;
  • estresse e infecções recentes, como gripe ou dor de garganta.

Fotos das placas também ajudam, porque elas costumam sumir antes da consulta.

Ilustração em corte da pele com pinos numerados: mastócito liberando histamina, líquido acumulado na parte superficial da pele formando a placa da urticária e inchaço mais profundo do angioedema

Urticária

  • 1 Mastócito libera histamina na derme
  • 2 Líquido na pele forma a placa elevada

Angioedema

  • 3 Inchaço profundo na camada mais funda e abaixo da pele
Figura 2. A placa da urticária é líquido que sai dos vasos na parte superficial da pele. Quando isso acontece mais fundo, o resultado é o inchaço do angioedema. Ilustração.

Urticária emocional: o que fazer quando o estresse piora as placas

“Urticária emocional” e “urticária nervosa” são nomes populares, não diagnósticos médicos. Eles nascem de uma observação verdadeira: em muita gente, as crises pioram nas semanas difíceis. O estresse, porém, raramente é a causa única. Ele baixa o limiar da pele, e com estresse um estímulo menor basta para disparar a crise.

Há uma forma em que a emoção participa de modo mais direto, a urticária colinérgica: placas pequenas que surgem com calor, suor, exercício ou emoção forte e somem em pouco tempo. Bolinhas que aparecem no calor e demoram a sumir podem ser outra coisa, como a brotoeja.

O que fazer:

  • tratar a urticária como urticária: o antialérgico prescrito, no horário, continua sendo a base, também nas semanas de estresse;
  • não suspender o tratamento achando que “é só nervoso”;
  • cuidar do sono, que a coceira da noite atrapalha e a falta de descanso piora;
  • buscar apoio psicológico quando a ansiedade é grande, como cuidado da pessoa, não como tratamento único da pele;
  • na forma colinérgica, refrescar o corpo depois do exercício e evitar banho muito quente.

Atribuir tudo ao emocional atrasa o diagnóstico. Se as placas voltam por semanas, a urticária precisa ser classificada, porque o tratamento muda conforme o tipo.

Por que a dieta de exclusão costuma não ajudar

Cortar camarão, chocolate, embutidos, ovo e corantes ao mesmo tempo é a primeira reação de muita gente. Na urticária crônica, isso raramente muda o quadro, porque alergia alimentar é causa rara da forma crônica.

A alergia a alimento tem um comportamento típico: a reação aparece em minutos depois de comer e se repete toda vez que a pessoa come o mesmo alimento. Placas que surgem quase todo dia, em horários variados e sem relação com a refeição, apontam para outra causa.

A dieta restritiva longa tem custo: menos variedade no prato, ansiedade a cada refeição e o diagnóstico verdadeiro adiado. Exames de alergia pedidos “para ver tudo”, sem uma suspeita na história, costumam dar resultados positivos que não explicam as placas, e cada um vira um alimento cortado sem motivo. Em casos selecionados, a observação de alguns alimentos por tempo definido pode ser orientada na consulta.

Quando a urticária passa de seis semanas

Placas na maior parte dos dias por seis semanas ou mais caracterizam a urticária crônica. Na forma espontânea, a mais comum, a ativação dos mastócitos vem de dentro do próprio organismo, e não de algo que a pessoa comeu ou tocou. Não achar um culpado é o esperado, e não quer dizer que falte tratamento.

A conduta segue degraus:

  • anti-histamínico de segunda geração todos os dias, com prescrição médica;
  • quando a dose habitual não controla, aumento da dose com orientação e acompanhamento médico;
  • para quem continua com crises, medicamentos de segunda linha, entre eles o imunobiológico, sempre com prescrição médica e acompanhamento.

A investigação é proporcional à história: poucos exames, escolhidos pelo que a consulta mostra. Na maior parte das pessoas, a urticária crônica entra em remissão com o tempo, que pode ser de meses ou de anos. Até a remissão chegar, o tratamento mira dias sem placa e sem coceira e noites inteiras de sono.

Se a urticária incomoda, uma consulta define o diagnóstico e o tratamento indicado para o seu caso. A classificação, os exames e as etapas do tratamento da urticária estão na página do tema.

Quando procurar o médico dermatologista

  • Placas que voltam há mais de seis semanas.
  • Crise que não melhora com o antialérgico prescrito ou que atrapalha o sono.
  • Angioedema que se repete, mesmo leve.
  • Placa parada no mesmo ponto por mais de um dia, que arde ou dói em vez de coçar, ou que some deixando marca roxa: outras doenças precisam ser descartadas.
  • Placas que surgem sempre com frio, calor, pressão, exercício ou ao riscar a pele.
  • Urticária depois de começar um remédio novo. Não suspenda por conta própria: fale com o médico que o prescreveu.

As placas vão e voltam, ou o antialérgico já não segura a coceira? Uma consulta classifica a urticária e define o tratamento.

Perguntas frequentes

Urticária nervosa: como tratar?
Como qualquer urticária: antialérgico prescrito, compressa fria e cuidado com os gatilhos. Cuidar do estresse e do sono ajuda, mas não substitui o tratamento.

Urticária pega?
Não. A urticária é uma reação da pele de cada pessoa e não passa para ninguém.

Quanto tempo dura uma crise de urticária?
Cada placa some em menos de 24 horas. O quadro agudo costuma melhorar em dias a poucas semanas; quando passa de seis semanas, é chamado de crônico.

Posso tomar banho durante a crise?
Pode, com água morna e banho rápido. A água quente aumenta a coceira.

Urticária em criança é diferente?
Na criança, a urticária aguda costuma vir depois de uma infecção, muitas vezes uma virose, mesmo sem febre. Os sinais de alerta são os mesmos do adulto, e a consulta atende crianças desde bebês.

Quando a urticária é perigosa?
Quando vem com inchaço na língua ou na garganta, falta de ar, dificuldade para engolir, tontura ou desmaio. Nesses casos, a orientação é pronto atendimento imediato.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Urticária. Acessar
  2. Oakley A. Urticaria – an overview. DermNet. Acessar
  3. American Academy of Dermatology. Hives: How to get relief at home. Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.