O eflúvio telógeno é uma queda de cabelo difusa e temporária, que costuma começar dois a três meses depois de um evento como febre alta, covid, cirurgia, parto ou dieta restritiva. Na forma aguda, tende a se resolver em alguns meses, sobretudo quando a causa é identificada e corrigida.
Quando a queda forma falhas redondas e bem delimitadas, a causa costuma ser outra, a alopecia areata.

A quedaFios no pente meses depois de um gatilho.
A recuperaçãoO cabelo volta a crescer em alguns meses.Neste artigo
Queda de cabelo tem causa.
Uma consulta investiga o gatilho e pede exames quando há indicação.
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1É uma queda difusa e temporária que começa dois a três meses após o gatilho.
2Febre, covid, parto e dieta restritiva estão entre os gatilhos comuns.
3Na forma aguda, a queda tende a diminuir em três a seis meses sem o gatilho.
O eflúvio telógeno é uma causa frequente de queda de cabelo difusa. Para entendê-lo, vale lembrar que cada fio passa por um ciclo: uma fase longa de crescimento (anágena), uma fase curta de transição e uma fase de repouso (telógena), ao fim da qual o fio cai e é substituído. Normalmente, cerca de 10% a 15% dos fios estão em repouso, e a perda diária de algumas dezenas até cerca de cem fios é considerada habitual.
Quando o organismo passa por um estresse físico ou emocional importante, uma grande quantidade de folículos sai da fase de crescimento ao mesmo tempo e entra em repouso. Como a fase telógena dura em torno de dois a três meses, a queda não acontece no momento do evento: ela aparece semanas ou meses depois, quando muitas vezes a pessoa já nem associa uma coisa à outra.
O sinal típico é a queda difusa, em toda a cabeça: fios no travesseiro, no ralo, na escova e entre os dedos ao passar a mão. Os fios que caem costumam ter uma pequena ponta esbranquiçada na raiz, que corresponde ao bulbo do fio em repouso. O ponto central é que o eflúvio telógeno não destrói o folículo: o fio que caiu é substituído por um novo.

Ciclo do fio
Miniaturização
Entre as causas descritas na literatura médica estão:
Nenhum medicamento deve ser suspenso por conta própria. A relação entre um remédio e a queda precisa ser avaliada pelo médico que o prescreveu e pelo médico dermatologista.
Como o gatilho costuma estar dois a três meses antes do início da queda, a pergunta “o que aconteceu de diferente nos meses anteriores?” tem papel central na consulta. Em parte dos casos, porém, nenhum gatilho é identificado.
O eflúvio telógeno é dividido em duas formas, de acordo com a duração:
Mesmo na forma crônica, a perda de volume costuma ser moderada, e a calvície não faz parte do quadro do eflúvio telógeno isolado.
A dúvida é frequente, porque as duas condições deixam o cabelo mais ralo e podem acontecer ao mesmo tempo. Algumas diferenças ajudam a separá-las:
A tricoscopia (dermatoscopia do couro cabeludo), quando indicada, ajuda a distinguir os dois quadros ao mostrar se há variação de calibre entre os fios. Há também um ponto relevante: o eflúvio telógeno pode revelar uma alopecia androgenética que estava em fase inicial. Quando a queda passa e o volume não se recupera, essa hipótese precisa ser avaliada.
A avaliação começa com a conversa detalhada e o exame do couro cabeludo, incluindo o teste de tração, em que o médico puxa delicadamente pequenas mechas para estimar a quantidade de fios em fase de queda.
Exames laboratoriais são solicitados quando há indicação, de acordo com a história de cada pessoa. Entre os utilizados com frequência estão o hemograma, a ferritina (que reflete os estoques de ferro), os exames da tireoide e, conforme o caso, outros marcadores nutricionais. Os exames servem para encontrar causas tratáveis; um resultado normal também é informação útil, porque ajuda a confirmar que o gatilho já passou.
A conduta segue três frentes:
Suplementos só têm papel quando existe deficiência comprovada. Vitaminas tomadas sem indicação não aceleram a recuperação e, em excesso, algumas podem até contribuir para a queda. A indicação é individual, definida em consulta; mais informações sobre a abordagem estão na página de tratamento da queda capilar em Londrina.
O prognóstico do eflúvio telógeno agudo costuma ser favorável. Depois que o gatilho é removido, a queda tende a diminuir em três a seis meses. A recuperação do volume é mais lenta: o cabelo cresce cerca de um centímetro por mês, e podem ser necessários de seis a doze meses, ou mais, até o comprimento e a densidade se aproximarem dos anteriores. Nesse período, é comum notar fios curtos e arrepiados na linha da frente, sinal de que o crescimento recomeçou.
No eflúvio crônico, a evolução é mais longa e oscilante, e o acompanhamento ajuda a ajustar a conduta ao longo do tempo.
Durante a fase de queda, alguns cuidados simples ajudam. Lavar o cabelo com a frequência habitual não aumenta a perda: apenas recolhe fios que já tinham se soltado. Evitar tração intensa, química agressiva e calor excessivo reduz a quebra, e manter uma alimentação com proteína e ferro adequados dá suporte ao crescimento. Esses cuidados não interrompem o eflúvio, mas evitam somar a quebra dos fios à queda.
Vale procurar avaliação quando:
A queda começou de repente, semanas depois de uma febre, de um parto ou de uma dieta? Uma consulta investiga a causa e orienta a conduta.
Eflúvio telógeno deixa careca?
Não. O eflúvio telógeno não destrói o folículo e não leva à calvície; ele reduz o volume de forma temporária. Se a perda de densidade persistir, outras causas precisam ser avaliadas.
Quanto tempo dura o eflúvio telógeno?
Na forma aguda, a queda costuma diminuir em três a seis meses após a retirada do gatilho. A recuperação do volume leva mais tempo, em geral de seis a doze meses.
A covid pode causar queda de cabelo?
Sim. A queda costuma começar cerca de dois a três meses depois da infecção e segue o padrão do eflúvio telógeno.
Preciso tomar vitaminas para o cabelo?
Somente se houver deficiência comprovada. Sem indicação, a suplementação não acelera a recuperação.
Cortar o cabelo diminui a queda?
O corte não altera o ciclo do fio, mas pode deixar o volume com aspecto mais uniforme durante a recuperação.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
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