Pelo encravado e foliculite aparecem nas áreas depiladas e voltam enquanto o pelo continuar sendo cortado da mesma forma. A mancha que fica depois costuma incomodar mais que as bolinhas.

A foliculiteBolinhas com pus em volta de cada pelo.
Depilação a laserMenos pelo, menos encravamento.Neste artigo
Bolinha que volta pede outro plano.
Uma consulta trata a inflamação, a mancha e a causa ao mesmo tempo.
Agendar consultaBolinhas vermelhas, às vezes com pus, que aparecem dias depois da depilação da virilha ou das axilas. Melhoram, deixam uma mancha escura e voltam na depilação seguinte. É um dos motivos mais comuns de consulta sobre essas regiões, e quase sempre o problema está no caminho que o pelo faz ao crescer de volta.
Em 30 segundos
1O pelo cortado rente pode furar a pele ao crescer e gerar inflamação.
2Aparar em vez de raspar reduz o encravamento nas áreas depiladas.
3A mancha escura volta a se formar enquanto o pelo continuar encravando.
Quando o pelo é cortado muito rente, a ponta fica afiada e em bisel. Ao crescer, ela pode furar a pele ao lado do folículo, em vez de sair por ele. Em outro caminho, quando a pele é esticada ou a lâmina passa contra o sentido do pelo, a ponta cortada recua para dentro do folículo e perfura a parede dele por dentro.
Nos dois casos, o organismo reage ao pelo como a um corpo estranho, e surge a inflamação: a pápula vermelha, às vezes com pus, que coça ou dói.
Pelo grosso e encaracolado encrava mais, porque tende a se curvar de volta para a pele. Por isso virilha e axilas, com pelos mais grossos, estão entre as regiões mais afetadas fora da barba.
Os dois se parecem, e às vezes acontecem juntos.
O pelo encravado é uma reação inflamatória ao próprio pelo. Não é infecção, embora possa infeccionar depois.
A foliculite é a inflamação do folículo, na maior parte das vezes por bactéria, e aparece como bolinhas com pus centradas no pelo. Raspar com frequência, suor e algumas condições de saúde favorecem. Casos leves, com poucas lesões, costumam melhorar em poucos dias; os mais extensos ou profundos precisam de tratamento.
Um sinal de alerta: nódulos doloridos e profundos que voltam sempre no mesmo lugar da axila ou da virilha não são foliculite de repetição. Podem ser hidradenite supurativa, uma doença inflamatória crônica com tratamento próprio — veja hidradenite supurativa.
Em muitas pessoas, o que mais incomoda não é a bolinha, é a mancha escura que ela deixa. É hiperpigmentação depois de inflamação, mais comum e mais duradoura em peles morenas e negras.
Cada novo ciclo de inflamação soma mancha à anterior, e é por isso que tratar a mancha sem resolver o pelo encravado não se sustenta. Em pessoas com predisposição, a inflamação repetida também pode deixar cicatriz ou queloide.
Nem todo escurecimento nessas regiões vem do pelo. Quando a pele está escura e também espessa e aveludada, a causa pode ser outra, explicada em axila, virilha e pescoço escurecidos.
A medida mais eficaz é também a mais simples: quando o pelo deixa de ser cortado rente, o problema tende a parar. Nem sempre isso é viável, mas alguns ajustes reduzem bastante as lesões.
Aparar em vez de raspar. Máquina elétrica que deixa pelo de pelo menos um milímetro causa menos encravamento que a lâmina.
Se for usar lâmina: pele e pelo amolecidos com água morna, lâmina afiada, a favor do sentido do pelo, sem esticar a pele e sem passar várias vezes no mesmo lugar. Raspar a seco é o que mais favorece o problema.
Cera e pinça podem piorar em quem tem tendência, porque o pelo que volta tende a encravar dentro do folículo.
Cremes depilatórios deixam a ponta do pelo romba e raramente causam encravamento, mas podem irritar a pele, e o teste numa área pequena antes vale a pena.
Quando as lesões são frequentes, inflamam muito ou deixam mancha, o tratamento combina frentes.
Para a inflamação e a infecção: corticoide tópico por curto período e antibiótico tópico ou oral nas formas com pus mais extensas, sempre com prescrição.
Para o pelo e para a mancha: ativos que afinam a camada superficial da pele e facilitam a saída do pelo, como retinoides e ácidos, e peelings químicos superficiais, que também ajudam na mancha.
Para a causa: a depilação a laser é a abordagem descrita como mais definitiva, porque reduz o pelo que provoca o problema. A clínica não realiza depilação a laser, mas a avaliação diz quando ela é o caminho e o que observar na escolha. Exige indicação e parâmetros adequados ao tipo de pele, sobretudo em peles morenas e negras — o que pode dar errado está em queimadura na depilação a laser.
Ativo, concentração e tempo de uso são definidos individualmente, porque dependem da região, do tipo de pele e de quanto a inflamação está ativa.
Pelo encravado que volta a cada depilação, e a mancha que ele deixa, têm tratamento. Uma consulta define a causa e o plano para a sua pele.
Pelo encravado é infecção?
Não necessariamente. É uma reação inflamatória ao pelo que entrou de volta na pele. Pode infeccionar depois, e aí aparecem pus, dor e vermelhidão maiores.
Devo espremer ou tirar o pelo com pinça?
Não é o ideal. Espremer aumenta a inflamação e a chance de mancha, e arrancar o pelo favorece que o próximo encrave de novo. Compressa morna ajuda nas lesões leves.
A mancha escura sai?
Tende a clarear com o tempo e com tratamento, mas volta a se formar se o pelo continuar encravando. Por isso tratar a mancha e a causa ao mesmo tempo é o que sustenta o resultado.
Depilação a laser resolve?
É a abordagem descrita como mais definitiva, porque reduz o pelo que provoca o problema. Precisa de indicação e de parâmetros adequados ao tipo de pele. A clínica não realiza depilação a laser, mas a avaliação orienta quando ela vale a pena.
Quando procurar o médico dermatologista?
Quando as lesões são frequentes, deixam mancha ou cicatriz, têm muito pus, ou quando aparecem nódulos profundos que voltam no mesmo lugar, o que pode ser outra doença.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
Páginas relacionadas: Dermatologia clínica · Cicatrizes e queloides · Como funciona a consulta
Leia também
Próxima revisão prevista: abril de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo. Doses e esquemas de tratamento não são informados nesta página por serem definidos individualmente.
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. O diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação médica presencial. Este conteúdo não substitui a consulta médica.