Antes de decidir

Cirurgia dermatológica no consultório: o que isso significa na prática

A palavra cirurgia assusta, mas boa parte dos procedimentos dermatológicos é feita com anestesia local, sem internação e sem sedação. O que esperar.

JB
Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 7 de setembro de 2026

Muita gente trava ao ouvir a palavra cirurgia. Vem à cabeça hospital, internação, sedação, afastamento do trabalho.

Na dermatologia, a maior parte dos procedimentos cirúrgicos é de outra natureza: feita em consultório, com anestesia local, com o paciente acordado e indo para casa andando logo depois.

O que é feito assim

  • Cistos — aquelas nodulações sob a pele que crescem devagar e às vezes inflamam.
  • Lipomas — nódulos de gordura, geralmente macios e móveis.
  • Unha encravada, com técnicas que corrigem a causa e não apenas o episódio.
  • Lesões suspeitas, retiradas para exame e diagnóstico.
  • Câncer de pele em estágio inicial, em casos selecionados.
  • Verrugas, pintas e pequenas lesões que incomodam ou precisam ser investigadas.

Dr. João Victor sobre cirurgia dermatológica feita em consultório.

Como funciona a anestesia local

A anestesia bloqueia a dor apenas na região onde será feito o procedimento. Você permanece acordado, conversando, sem os riscos e o preparo que a sedação exige.

O que se sente é a picada inicial da anestesia e, depois, sensação de toque e pressão — não dor. Essa distinção costuma tranquilizar: pressão não é dor, e é normal senti-la.

Não é preciso jejum na maior parte dos casos, não há necessidade de acompanhante para a maioria dos procedimentos, e você volta às atividades no mesmo dia, com as restrições que forem orientadas.

O que faz um procedimento ser seguro

Não é o tamanho da sala. É o conjunto:

  • Diagnóstico antes. Saber o que se está retirando muda a técnica e a margem.
  • Ambiente preparado e material adequado, com os cuidados de antissepsia que o procedimento exige.
  • Técnica escolhida para o caso e para a região — o planejamento da cicatriz começa antes do primeiro corte.
  • Exame do material retirado, quando indicado. É o que confirma o diagnóstico e define se algo mais precisa ser feito.
  • Acompanhamento depois, com orientação de curativo e retorno.

Sobre a cicatriz

Toda incisão deixa marca — essa é a parte honesta. O que se controla é como ela fica.

Pesam a orientação da incisão em relação às linhas naturais da pele, a técnica de fechamento, a região do corpo (algumas cicatrizam melhor que outras), o cuidado no pós e a tendência individual a queloide ou cicatriz hipertrófica — que é bom mencionar na avaliação se você já teve.

Fotoproteção rigorosa sobre a cicatriz nos primeiros meses é o cuidado de maior impacto e o mais negligenciado.

Quando esperar não é uma opção

Adiar por medo é comum, e em alguns quadros custa caro:

  • Lesão que mudou de cor, tamanho ou formato.
  • Ferida que não cicatriza em semanas.
  • Cisto que inflama repetidamente — cada episódio deixa mais fibrose e dificulta a retirada.
  • Unha encravada com infecção recorrente.

Saber o que será feito, como e com que recuperação é parte do procedimento. Isso se define na avaliação.

Perguntas frequentes

Dói?
A anestesia elimina a dor. O desconforto é a picada inicial e a sensação de pressão durante.

Preciso me afastar do trabalho?
Na maioria dos casos não. As restrições dependem da região e do esforço envolvido.

Posso fazer exercício depois?
Há um período de restrição, definido conforme o procedimento e a região.

O material é sempre examinado?
Quando há indicação diagnóstica, sim. Em remoções puramente estéticas, é decisão discutida caso a caso.

Dermatologista faz cirurgia?
Sim. Cirurgia dermatológica é parte da especialidade e integra a formação do dermatologista.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Guidelines for the use of local anesthesia in office-based dermatologic surgery. PubMed
  2. Optimizing Patient Safety in Dermatologic Surgery. PubMed
  3. Surgical Site Infection Following Dermatologic and Plastic Surgery in an Office Setting. Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.

João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

Dr. João Victor Bezerra · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 — Médico Dermatologista
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