Doenças de pele

Unha encravada: por que volta e o que resolve de vez

Cortar o canto alivia por semanas e alimenta o problema. Entenda por que a unha encrava, o que é a cantoplastia e quando ela é indicada.

JB
Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 7 de setembro de 2026

A unha encravada tem um padrão que quase todo mundo reconhece: dói, incha, alguém corta o canto, alivia por algumas semanas — e volta. Às vezes por anos.

Esse ciclo não é falta de sorte. É consequência de tratar o episódio e não a causa.

O que acontece de fato

A borda lateral da unha pressiona e perfura a pele da dobra ao lado. O organismo responde a esse corpo estranho com inflamação: dor, vermelhidão, inchaço. Se há infecção associada, aparece secreção.

Com a repetição, a pele ao redor cria um tecido de granulação — aquela carne esponjosa que sangra fácil — e a dobra fica cada vez mais volumosa, o que aperta ainda mais a unha. O problema se alimenta.

Por que cortar o canto piora

É a intervenção mais intuitiva e a que mais perpetua o quadro.

Ao cortar o canto, você retira a ponta que está perfurando — e o alívio é imediato, o que confirma a impressão de que funcionou. Mas a unha volta a crescer a partir daquele canto irregular, agora com uma espícula ainda mais afiada, direto contra a pele já inflamada.

Cada ciclo deixa a dobra mais espessa e o canto mais deformado. É por isso que o intervalo entre as crises costuma encurtar com o tempo.

Dr. João Victor sobre a cirurgia que resolve a unha encravada.

O que contribui

  • Corte arredondado nas laterais, em vez de reto.
  • Calçado apertado ou de bico estreito, que empurra a pele contra a unha.
  • Formato da unha — algumas são naturalmente mais curvas, com maior tendência a encravar.
  • Trauma repetido, comum em corrida e esportes com frenagem.
  • Sudorese excessiva, que amolece a pele da dobra.
  • Micose, que espessa e deforma a lâmina.

O que é a cantoplastia

É o procedimento que trata a causa. Feito em consultório, com anestesia local, remove apenas a faixa lateral que está encravando — não a unha inteira, que é o medo mais comum e o motivo pelo qual muita gente adia.

Quando o caso é recorrente, associa-se um tratamento da matriz naquela faixa específica, para que aquela porção da unha não volte a crescer. A unha continua ali, com a largura ligeiramente menor, e o canto que causava o problema deixa de existir.

A recuperação costuma ser rápida e o alívio da dor, imediato — geralmente o desconforto que a pessoa vinha sentindo era maior do que o do próprio procedimento.

O que fazer enquanto não trata

  • Corte reto, sem arredondar os cantos, e sem cortar rente demais.
  • Calçado com espaço para os dedos.
  • Higiene e secagem cuidadosa entre os dedos.
  • Não cutucar nem tentar levantar o canto com objetos.

Isso previne novos episódios em quem ainda não tem o quadro instalado. Em quem já tem canto deformado e crises repetidas, é paliativo.

Quando procurar sem esperar

Dor intensa, secreção, vermelhidão que se espalha, febre, ou qualquer alteração em quem tem diabetes ou circulação comprometida — nesse grupo, uma unha encravada infectada não é problema menor e a avaliação deve ser imediata.

Se o episódio se repete, tratar só a crise não resolve. A avaliação define o que corrige a causa.

Perguntas frequentes

Vou perder a unha?
Não. Retira-se apenas a faixa lateral que encrava.

Dói?
A anestesia local resolve a dor do procedimento. A dor que se sentia antes costuma acabar no mesmo dia.

Volta depois?
Quando se trata a matriz na faixa correspondente, a recidiva é baixa.

Posso andar depois?
Sim, com orientações de curativo e restrição temporária de esforço e calçado apertado.

Podologista resolve?
O cuidado podológico ajuda na prevenção e no manejo. O quadro recorrente com deformidade do canto é de resolução médica.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Comparative effectiveness of ingrown toenail treatments: Systematic review and network meta-analysis. PubMed
  2. Surgical Matricectomy Versus Phenolization in the Treatment of Ingrown Toenails: A Randomized Controlled Trial. PubMed
  3. Effect of Phenol Application Time in the Treatment of Onychocryptosis: A Randomized Double-Blind Clinical Trial. Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.

João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

Dr. João Victor Bezerra · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 — Médico Dermatologista
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