Cortar o canto alivia por semanas e alimenta o problema. Entenda por que a unha encrava, o que é a cantoplastia e quando ela é indicada.
A unha encravada tem um padrão que quase todo mundo reconhece: dói, incha, alguém corta o canto, alivia por algumas semanas — e volta. Às vezes por anos.
Esse ciclo não é falta de sorte. É consequência de tratar o episódio e não a causa.
A borda lateral da unha pressiona e perfura a pele da dobra ao lado. O organismo responde a esse corpo estranho com inflamação: dor, vermelhidão, inchaço. Se há infecção associada, aparece secreção.
Com a repetição, a pele ao redor cria um tecido de granulação — aquela carne esponjosa que sangra fácil — e a dobra fica cada vez mais volumosa, o que aperta ainda mais a unha. O problema se alimenta.
É a intervenção mais intuitiva e a que mais perpetua o quadro.
Ao cortar o canto, você retira a ponta que está perfurando — e o alívio é imediato, o que confirma a impressão de que funcionou. Mas a unha volta a crescer a partir daquele canto irregular, agora com uma espícula ainda mais afiada, direto contra a pele já inflamada.
Cada ciclo deixa a dobra mais espessa e o canto mais deformado. É por isso que o intervalo entre as crises costuma encurtar com o tempo.
Dr. João Victor sobre a cirurgia que resolve a unha encravada.
É o procedimento que trata a causa. Feito em consultório, com anestesia local, remove apenas a faixa lateral que está encravando — não a unha inteira, que é o medo mais comum e o motivo pelo qual muita gente adia.
Quando o caso é recorrente, associa-se um tratamento da matriz naquela faixa específica, para que aquela porção da unha não volte a crescer. A unha continua ali, com a largura ligeiramente menor, e o canto que causava o problema deixa de existir.
A recuperação costuma ser rápida e o alívio da dor, imediato — geralmente o desconforto que a pessoa vinha sentindo era maior do que o do próprio procedimento.
Isso previne novos episódios em quem ainda não tem o quadro instalado. Em quem já tem canto deformado e crises repetidas, é paliativo.
Dor intensa, secreção, vermelhidão que se espalha, febre, ou qualquer alteração em quem tem diabetes ou circulação comprometida — nesse grupo, uma unha encravada infectada não é problema menor e a avaliação deve ser imediata.
Se o episódio se repete, tratar só a crise não resolve. A avaliação define o que corrige a causa.
Vou perder a unha?
Não. Retira-se apenas a faixa lateral que encrava.
Dói?
A anestesia local resolve a dor do procedimento. A dor que se sentia antes costuma acabar no mesmo dia.
Volta depois?
Quando se trata a matriz na faixa correspondente, a recidiva é baixa.
Posso andar depois?
Sim, com orientações de curativo e restrição temporária de esforço e calçado apertado.
Podologista resolve?
O cuidado podológico ajuda na prevenção e no manejo. O quadro recorrente com deformidade do canto é de resolução médica.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.