Alopecia areata: o que é, por que acontece e como tratar

Falhas redondas que aparecem de repente no couro cabeludo ou na barba. A causa é o próprio sistema de defesa do organismo, e em boa parte dos casos o cabelo volta. Quando esperar e quando tratar.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 4 de outubro de 2026
No couro cabeludo: falha redonda, lisa, sem fiosNo couro cabeludoFalha redonda, lisa, sem fios.
Na barba: a mesma falha pode surgir nos pelos do rostoNa barbaA mesma falha pode surgir nos pelos do rosto.
Figura 1. Como a falha da alopecia areata aparece. Fotos: Thirunavukkarasye-Raveendran (CC BY 4.0) e XxRoxetteXx (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons.

Falha no cabelo pede diagnóstico.

Uma consulta confirma o diagnóstico com tricoscopia e define o tratamento.

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A alopecia areata costuma aparecer de um jeito que assusta: uma falha redonda, lisa, sem pelos, notada pelo cabeleireiro, pelo barbeiro ou no espelho. Às vezes é uma só; às vezes são várias. Não coça, não dói e não descama.

A boa notícia é que o folículo não é destruído. Ele fica “em pausa”, e por isso o cabelo pode voltar, sozinho ou com tratamento. A pergunta da consulta é quanto esperar, o que acelerar e o que acompanhar.

Em 30 segundos

1Na alopecia areata, a defesa do organismo ataca o folículo, que não é destruído.

2Com poucas placas pequenas, até metade tem o cabelo de volta em até um ano.

3A infiltração de corticoide é o tratamento mais usado nas placas localizadas.

O que é alopecia areata

A alopecia areata é uma doença autoimune: as células de defesa do organismo passam a atacar o folículo do cabelo, que interrompe a produção do fio. O folículo continua lá, o que explica por que a queda não é definitiva na maioria dos casos.

É uma condição comum. Estima-se que cerca de 2% das pessoas terão um episódio ao longo da vida, em qualquer idade, com frequência maior em crianças e adultos jovens. Não é contagiosa e não tem relação com higiene ou com produtos de cabelo.

Como reconhecer

O sinal típico é a placa redonda ou oval sem cabelo, com a pele de aspecto normal. Ela pode aparecer no couro cabeludo, na barba, nas sobrancelhas ou em outras áreas com pelos.

  • Na borda da placa, às vezes aparecem fios curtos e afinados na base, chamados de “pelos em ponto de exclamação”.
  • As unhas podem ter pequenas depressões, como furinhos de dedal.
  • Quando o cabelo volta, os primeiros fios costumam nascer brancos e finos, e ganham cor com o tempo.

Há formas mais extensas: a que acomete toda a borda do couro cabeludo (ofíase), a que leva a perda total do cabelo da cabeça (total) e a que atinge os pelos do corpo todo (universal).

Por que acontece

A causa envolve predisposição genética e um desequilíbrio do sistema imune ao redor do folículo. É comum haver casos na família, e a alopecia areata aparece com mais frequência em quem tem dermatite atópica, doença autoimune da tireoide ou vitiligo.

O estresse emocional costuma ser apontado como gatilho, e muitas pessoas relatam um período difícil antes da falha. Ele pode influenciar, mas não é a causa única, e a falha não significa que a pessoa “fez algo errado”.

O cabelo volta?

Na maioria das vezes, sim. Nos casos com poucas placas pequenas, até metade das pessoas tem o cabelo de volta em até um ano, mesmo sem tratamento. O curso, porém, é imprevisível: novas placas podem surgir enquanto outras se recuperam, e novos episódios ao longo da vida são comuns.

Alguns sinais indicam um curso mais difícil e pedem acompanhamento mais próximo:

  • muitas placas ou perda extensa;
  • a forma em faixa na borda do couro cabeludo (ofíase);
  • início na infância;
  • alterações nas unhas;
  • doença que dura mais de um ano.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, feito no consultório. O exame com o dermatoscópio (tricoscopia) mostra sinais característicos no couro cabeludo e ajuda a diferenciar de outras causas de falha, como a micose do couro cabeludo e o hábito de arrancar os fios.

Exames de sangue não são necessários em todos os casos. Quando a história ou o exame sugerem, o médico pode pedir a avaliação da tireoide e de outras condições associadas. Para entender quando a queda de cabelo em geral pede investigação, vale o artigo sobre quando a queda de cabelo precisa de investigação.

Tratamentos

O tratamento depende da extensão, do tempo de doença e da idade. O objetivo é acalmar a inflamação ao redor do folículo para que ele volte a produzir o fio.

  • Placas localizadas: a infiltração de corticoide na placa, feita no consultório a cada 4 a 6 semanas, é o tratamento mais usado em adultos. Na clínica, a infiltração é feita pelo próprio médico dermatologista, depois de confirmado o diagnóstico com a tricoscopia. Corticoides tópicos e o minoxidil podem complementar.
  • Formas extensas: entram a imunoterapia tópica, os corticoides por via oral em esquemas específicos e outros imunossupressores, sempre com acompanhamento.
  • Formas graves: desde 2023, a Anvisa aprovou medicamentos orais da classe dos inibidores de JAK para a alopecia areata grave. A indicação depende de critérios clínicos, exames e acompanhamento regular.

Em crianças, as opções e as doses são outras, e a escolha é ainda mais individual. A investigação da queda de cabelo é parte do tratamento de queda capilar em Londrina, com tricoscopia no consultório.

O que não ajuda

Diante de uma falha, é comum recorrer a soluções que não tratam a causa:

  • Tônicos, xampus e vitaminas sem indicação não fazem o folículo voltar a funcionar.
  • Raspar o cabelo não faz o fio nascer mais forte.
  • Tratamentos para calvície comum, como os da alopecia androgenética, tratam outra doença, com outro mecanismo.

O que ajuda é o diagnóstico certo cedo: as formas extensas respondem melhor quando tratadas no início.

Percebeu uma falha redonda no cabelo ou na barba? Uma consulta confirma o diagnóstico e define se é caso de acompanhar ou de tratar.

Perguntas frequentes

Alopecia areata tem cura?
Não há uma cura definitiva, mas há controle. Em boa parte dos casos com poucas placas o cabelo volta, sozinho ou com tratamento, e novos episódios podem acontecer ao longo da vida.

Alopecia areata é contagiosa?
Não. É uma doença autoimune, em que o próprio sistema de defesa ataca o folículo, e não passa de uma pessoa para outra.

Estresse causa alopecia areata?
O estresse pode funcionar como gatilho em quem já tem predisposição, mas não é a causa única. Genética e alterações do sistema imune têm papel central.

O cabelo volta branco?
Os primeiros fios costumam nascer brancos e finos. Na maioria das vezes, eles ganham cor e espessura com o tempo.

Alopecia areata na barba tem tratamento?
Sim. A barba é uma área frequente, e o tratamento segue a mesma lógica do couro cabeludo, ajustado à extensão das falhas.

Quando procurar o médico dermatologista?
Assim que a primeira falha aparecer, para confirmar o diagnóstico e afastar outras causas. Placas que aumentam ou se multiplicam pedem avaliação logo.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Strazzulla LC, Wang EHC, Avila L, et al. Alopecia areata: disease characteristics, clinical evaluation, and new perspectives on pathogenesis. J Am Acad Dermatol. 2018;78(1):1-12. Acessar
  2. Ramos PM, Anzai A, Duque-Estrada B, et al. Consensus on the treatment of alopecia areata – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2020;95 Suppl 1:39-52. Acessar
  3. Sociedade Brasileira de Dermatologia. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. An Bras Dermatol. Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. O diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação médica presencial. Este conteúdo não substitui a consulta médica.

João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

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