Quando as bolhas do herpes-zóster secam e a dor continua, o nome é nevralgia pós-herpética. Quem tem mais risco, quanto tempo dura, o que ajuda e como diminuir a chance de ela aparecer.

O cobreiroFaixa de bolhas de um lado só do corpo.
A prevençãoA vacina diminui o risco de cobreiro e da dor que fica.Neste artigo
Dor depois do cobreiro tem tratamento.
Uma consulta avalia a dor e ajusta o tratamento em etapas, com reavaliação.
Agendar consultaO herpes-zóster, o cobreiro, costuma seguir um roteiro conhecido: dor ou ardência numa faixa do corpo, bolhas no mesmo lugar dias depois, crostas e cicatrização em algumas semanas. Para parte das pessoas, porém, a dor continua depois que a pele fecha.
Essa dor que fica tem nome, nevralgia pós-herpética, e é a complicação mais frequente do herpes-zóster. Este texto explica por que ela acontece, quem tem mais risco, o que costuma ajudar e o que reduz a chance de ela aparecer. A fase aguda do cobreiro, com o tratamento das lesões, está na página de herpes-zóster em Londrina.
Em 30 segundos
1Dor que dura três meses ou mais após o cobreiro é nevralgia pós-herpética.
2O risco cresce com a idade e a dor aguda intensa, entre outros fatores.
3Antiviral precoce e vacina reduzem a chance de a dor aparecer.
O vírus do herpes-zóster é o mesmo da catapora. Ele fica adormecido num nervo por anos e, quando volta a se multiplicar, inflama o nervo e a pele que ele inerva. Quando essa lesão do nervo não se recupera por completo, a dor continua mesmo sem bolhas.
Fala-se em nevralgia pós-herpética quando a dor dura três meses ou mais depois do início do cobreiro. Ela costuma ser descrita como queimação, choque ou fisgada, sempre na mesma faixa onde estavam as lesões. Um sinal típico é a dor ao toque leve: a roupa ou o lençol encostando já incomoda.
A idade é o fator que mais pesa. Numa revisão de estudos, cerca de 13% das pessoas com 50 anos ou mais que tiveram herpes-zóster desenvolveram nevralgia pós-herpética. O risco também é maior quando:
Na maior parte das pessoas, a dor diminui aos poucos ao longo dos meses. Nos estudos, cerca de 1 em cada 10 ainda tem dor um mês depois do cobreiro, e a proporção cai para perto de 5% aos três meses. Uma minoria segue com dor importante depois de um ano.
Por isso o tratamento é pensado em etapas, com reavaliação. O objetivo é reduzir a dor a um nível que permita dormir e manter a rotina, e o ajuste costuma levar algumas semanas.
Analgésico comum e anti-inflamatório costumam resolver pouco, porque a dor vem do nervo, não da pele. O tratamento usa medicamentos que agem na transmissão da dor pelo nervo, de uso contínuo e com dose ajustada aos poucos, e recursos aplicados na pele, como adesivo ou creme anestésico sobre a área dolorida.
Muitas vezes a combinação funciona melhor que um recurso isolado. A escolha depende da idade, dos outros remédios em uso, da função dos rins e dos efeitos colaterais, por isso não é tratamento para começar por conta própria. Quando a dor não responde, o acompanhamento pode incluir um serviço especializado em dor.
Se a dor continua depois que as lesões do cobreiro secaram, a avaliação define o tipo de dor e o tratamento de cada fase.
Duas medidas reduzem o risco:
A dor depois do cobreiro passa?
Na maioria das pessoas, sim, aos poucos, ao longo de meses. Uma minoria mantém dor por mais de um ano, e o tratamento serve para reduzi-la a um nível que permita a rotina.
Pomada resolve a dor da nevralgia pós-herpética?
Creme ou adesivo anestésico pode aliviar a dor na área, mas costuma fazer parte de um tratamento combinado. Pomadas comuns, sem indicação, não tratam a dor do nervo.
Quem já teve cobreiro pode tomar a vacina?
Pode, e costuma ser recomendado, porque o herpes-zóster pode voltar. O momento da vacina em relação ao episódio é definido na consulta.
Pode ter dor sem aparecer bolha?
Sim. A dor costuma vir dois a três dias antes das lesões, e dor numa faixa do corpo merece avaliação mesmo sem bolhas.
O cobreiro pode voltar?
Pode. Ter tido uma vez não garante proteção duradoura.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
Páginas relacionadas: Herpes-zóster · Herpes simples · Dermatologia clínica
Leia também
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.