Psoríase: o que é, como tratar e o que muda em cada gravidade

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem imunológica, que não é contagiosa. Ela vai e volta ao longo da vida, e o tratamento é escolhido pela gravidade: extensão das placas, intensidade e impacto na vida da pessoa.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor Bezerra Médico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 25 de outubro de 2026
A placa de perto: vermelha, elevada e com escama esbranquiçadaA placa de perto Vermelha, elevada e com escama esbranquiçada.
Nas pernas: placas espalhadas na frente das canelasNas pernas Placas espalhadas na frente das canelas.
Figura 1. Como a psoríase em placas aparece na pele. Fotos: Mohammad2018 (CC BY-SA 4.0) e Drb206 (CC BY 4.0), via Wikimedia Commons.

Placas vermelhas, bem marcadas, cobertas por uma escama branca ou prateada, no cotovelo, no joelho ou no couro cabeludo. Quem acabou de ouvir o nome psoríase costuma sair da consulta, ou de uma busca, com três perguntas: o que é, se pega e como tratar.

Este texto responde às três, explica por que a doença vai e volta e mostra como a gravidade é medida, porque é ela que decide o tratamento. No meio do caminho estão os cuidados práticos com as placas e com o couro cabeludo.

Em 30 segundos

1 A psoríase é uma inflamação crônica da pele, e o tratamento segue a gravidade.

2 Não pega: não passa por toque, toalha, piscina nem relação sexual.

3 Unha alterada ou dor nas articulações muda o tratamento, mesmo com pouca placa.

O que é psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, de origem imunológica. Células de defesa da própria pele liberam substâncias inflamatórias que aceleram muito a renovação da camada mais externa. As células novas chegam à superfície antes da hora e se acumulam.

Por isso a placa tem três características que andam juntas:

  • é vermelha, pela inflamação e pelos vasos dilatados logo abaixo;
  • é grossa, porque a camada externa fica espessada;
  • descama, porque as células acumuladas se soltam em lâminas.

Há predisposição genética. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 30% a 40% dos pacientes têm um familiar de primeiro grau com a doença. Ter a tendência, porém, não basta: fatores do ambiente e do dia a dia é que despertam as crises.

A psoríase também não fica só na pele. Ela se associa a inflamação nas articulações e a maior risco cardiovascular e metabólico. Por isso o tratamento olha a pessoa toda, e não só as placas.

Como pega a psoríase? Ela não pega

A busca “psoríase como pega” é das mais comuns, e a resposta é direta: psoríase não é contagiosa. Não passa por toque, abraço, beijo, toalha, roupa, piscina, alimento ou relação sexual. Não é infecção, não é alergia e não tem relação com falta de higiene.

O que confunde é o aspecto da placa, que lembra micose ou ferida, e o fato de a doença aparecer em mais de uma pessoa da mesma família. Nesse caso, o que passa de pais para filhos é a predisposição genética, nunca a doença por contato.

Saber disso muda o dia a dia. Ninguém precisa se afastar de quem tem psoríase, e quem tem a doença não precisa evitar a piscina ou a academia por medo de transmitir.

Por que a psoríase vai e volta

A psoríase costuma acompanhar a pessoa ao longo da vida, com fases de melhora e de piora. Muitas crises têm um gatilho, mesmo quando ele não é óbvio. Entender o mecanismo ajuda a evitar os mais comuns:

  • Pele ferida: arranhão, corte, queimadura de sol, tatuagem ou atrito podem fazer surgir uma placa nova exatamente no local ferido. É o chamado fenômeno de Koebner, e explica por que arrancar a escama faz a placa voltar.
  • Inflamação em outro lugar: uma infecção de garganta, por exemplo, pode desencadear a psoríase gutata, com pequenas placas em gota espalhadas pelo tronco, sobretudo em crianças e jovens.
  • Rotina que soma inflamação: estresse intenso, sono ruim, ganho de peso, álcool e cigarro pesam na gravidade e na resposta ao tratamento.
  • Remédios: alguns, como o lítio, certos betabloqueadores e os antimaláricos, podem piorar a psoríase.
  • Corticoide em comprimido ou injeção: melhora a pele no começo, mas a suspensão pode provocar uma piora forte, às vezes com formas graves.

Nenhum remédio deve ser suspenso por conta própria. Se um medicamento parece ter piorado as placas, a troca é decidida com o médico que o prescreveu.

O tempo frio e seco também aumenta a descamação e as fissuras. O artigo sobre pele no frio explica o que acontece com a barreira da pele nessa época.

Um hábito simples ajuda na consulta: anotar, por alguns meses, quando cada crise começou e o que aconteceu nas semanas anteriores. O registro separa o gatilho real da coincidência e evita cortar da vida coisas que não fazem diferença.

Como se mede a gravidade da psoríase

O tratamento não é escolhido pelo nome da doença, e sim pela gravidade. Na consulta, o médico dermatologista avalia três coisas:

  • Extensão: quanto da superfície do corpo está tomado por placas, em porcentagem.
  • Intensidade: o quanto as placas estão vermelhas, grossas e descamando. Extensão e intensidade somadas dão um escore chamado PASI.
  • Impacto: o quanto a doença atrapalha o sono, o trabalho, a vida afetiva e a autoestima, medido por um questionário de qualidade de vida.

No protocolo do Ministério da Saúde, a psoríase é considerada moderada a grave quando qualquer um desses três passa de 10: mais de 10% do corpo tomado, PASI acima de 10 ou questionário de qualidade de vida acima de 10. Segundo a DermNet, cerca de 60% dos casos são leves, 30% moderados e 10% graves.

SituaçãoComo costuma serBase do tratamento
LevePoucas placas, pouco impactoRemédio de passar e hidratação
Moderada a graveMais de 10% do corpo, PASI ou impacto acima de 10Fototerapia, comprimidos, injeções ou imunobiológicos
Área de alto impactoRosto, mãos, pés, unhas, genital ou couro cabeludoPode subir de etapa mesmo com pouca área

A última linha é a que mais surpreende. Uma placa pequena na palma da mão, que racha e sangra, pesa mais na vida do que várias placas no tronco. Dor nas articulações também muda a escolha, porque alguns medicamentos tratam pele e articulação ao mesmo tempo.

Psoríase: como tratar em cada gravidade

A pergunta “psoríase, como tratar?” tem resposta em etapas. A meta é chegar a poucas placas ou nenhuma, cuidar das articulações e devolver o sono e a rotina. A psoríase não tem cura, mas tem controle, e há opções para cada etapa da gravidade.

Em casa, o que funciona é o cuidado com a barreira da pele: hidratante todos os dias, inclusive fora das crises, banho morno e curto e sabonete suave. Isso amolece a escama, diminui a coceira e as fissuras e ajuda o remédio prescrito a agir.

O hidratante sozinho, porém, não controla a inflamação. Por isso a psoríase tratada só com creme de farmácia costuma ir e voltar no mesmo lugar, sem mudar de tamanho.

O que nunca fazer:

  • arrancar a escama com unha, lixa, bucha ou pinça: a pele ferida forma placa nova;
  • passar receita caseira, como limão, vinagre, álcool, querosene ou alho, que queimam a pele e somam uma dermatite à psoríase;
  • usar por semanas, sem orientação, pomada de corticoide guardada em casa ou indicada por outra pessoa: no rosto e nas dobras ela afina a pele;
  • tomar sol até queimar, porque a queimadura é um gatilho;
  • tomar corticoide em comprimido ou injeção para “secar” as placas.

Quando é preciso tratamento médico, ele segue a gravidade:

  • Psoríase leve: remédios de passar, com prescrição médica, como corticoides tópicos e análogos da vitamina D, sozinhos ou associados. O veículo muda conforme a área: loção ou espuma no couro cabeludo, creme nas dobras, pomada nas placas grossas.
  • Moderada a grave: fototerapia, com sessões de luz ultravioleta em serviço especializado, encaminhada conforme a disponibilidade do paciente, em duas a três sessões por semana; ou medicamentos de uso oral ou injetável, como metotrexato, ciclosporina e acitretina, com prescrição médica e exames de controle.
  • Grave, resistente ou com artrite: imunobiológicos e pequenas moléculas, que agem em alvos específicos da inflamação, com prescrição médica. Antes de começar, há uma triagem com rastreio de tuberculose e hepatites e vacinas em dia.

Os remédios de passar levam algumas semanas de uso regular até mostrar efeito. Parar na primeira semana porque “não funcionou” é uma das causas mais comuns de troca desnecessária de tratamento.

Se a psoríase incomoda, uma consulta define o diagnóstico e o tratamento indicado para o seu caso. Como é feito o tratamento da psoríase no consultório, do remédio tópico ao imunobiológico, está na página do tema.

Psoríase no couro cabeludo: como tratar

O couro cabeludo é um dos lugares mais atingidos. O cabelo atrapalha a aplicação, a escama gruda e a coceira é constante, o que explica tantas buscas por “psoríase no couro cabeludo como tratar”.

O primeiro passo é reconhecer. Na psoríase, a escama é grossa e aderida, sobre uma placa vermelha bem delimitada, que muitas vezes passa da linha do cabelo para a testa, a nuca ou atrás das orelhas. Na caspa e na dermatite seborreica, a escama é mais fina e oleosa, sem placa grossa. As duas podem existir juntas.

O que ajuda em casa:

  • amolecer a escama antes de lavar, com um óleo ou um hidratante próprio para o couro cabeludo, deixado por algum tempo e retirado no banho;
  • usar xampu com ácido salicílico de farmácia, que ajuda a soltar a escama e facilita a ação do remédio prescrito;
  • lavar com água morna e massagear com a ponta dos dedos, sem unhas;
  • pentear com escova macia, sem raspar o couro.

O que não funciona é trocar de xampu anticaspa a cada semana: ele tem pouco efeito sobre a psoríase. E o que nunca fazer é raspar a escama com pente fino, unha ou pinça, que fere o couro e faz a placa voltar.

Quando a placa não melhora, o tratamento usa loções, géis ou espumas com prescrição médica, que penetram melhor entre os fios do que as pomadas. Na psoríase extensa do couro cabeludo, o tratamento pode subir de etapa, como no resto do corpo.

E a queda de cabelo? Nos casos mais intensos pode haver queda localizada, em geral temporária, que melhora quando a inflamação é controlada.

Psoríase nas unhas e nas articulações

Pontinhos na superfície da unha, manchas amareladas, descolamento da ponta e unha grossa podem ser psoríase. É comum serem tratados como micose sem exame, o que atrasa o tratamento certo. O artigo sobre unhas quebradiças mostra outras alterações de unha que pedem avaliação.

A unha também é um sinal para as articulações. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, até 30% dos pacientes podem ter inflamação nas articulações, a artrite psoriásica, que às vezes aparece anos depois da pele. Rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos, dedo inteiro inchado ou dor no calcanhar ao pisar devem ser contados na consulta, mesmo quando a pele está boa.

Quando procurar atendimento no mesmo dia

Algumas formas de psoríase são raras, mas graves. Procure atendimento no mesmo dia, em pronto atendimento se não houver consulta, quando houver:

  • pele vermelha em quase todo o corpo, com descamação, calafrio ou febre;
  • pequenas bolhas de pus espalhadas sobre a pele vermelha, com febre e mal-estar;
  • piora rápida e intensa depois de parar um corticoide em comprimido ou injeção.

Quando procurar o médico dermatologista

  • As placas não melhoram em algumas semanas de hidratação.
  • O diagnóstico ainda não foi confirmado: micose, eczema e dermatite seborreica podem parecer psoríase.
  • A doença atrapalha o sono, o trabalho ou a vida afetiva.
  • Há unhas alteradas ou dor nas articulações.
  • O tratamento atual deixou de funcionar.

As placas voltam sempre nos mesmos lugares, mesmo com hidratante? Uma consulta mede a gravidade da psoríase e define o tratamento indicado para o seu caso.

Perguntas frequentes

Psoríase pega pelo contato ou na piscina?
Não. A psoríase não é infecção e não passa por toque, toalha, piscina ou relação sexual. O que se herda da família é a predisposição.

Psoríase tem cura?
Não tem cura, mas tem controle. Com o tratamento escolhido pela gravidade, muitas pessoas passam longos períodos com pouca ou nenhuma placa.

Psoríase é emocional?
O estresse é um dos gatilhos mais relatados, mas não é a causa. A doença tem base imunológica e genética, e o estresse piora uma tendência que já existe.

Psoríase no couro cabeludo faz o cabelo cair?
Nos casos mais intensos pode haver queda em áreas localizadas, em geral temporária. Ela costuma melhorar quando a inflamação do couro cabeludo é controlada.

Shampoo anticaspa trata psoríase?
Pouco. Ele ajuda na caspa e na dermatite seborreica, mas na psoríase o efeito varia. Xampu com ácido salicílico solta a escama, e o controle vem do remédio prescrito.

Quem tem psoríase pode fazer tatuagem?
A agulha fere a pele, e a psoríase pode aparecer no desenho, pelo fenômeno de Koebner. O risco é maior quando a doença está em atividade, e a decisão é conversada na consulta.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Psoríase: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos. Acessar
  2. Jones C, Gupta M, Uddin S, Oakley A. Psoriasis. DermNet. Acessar
  3. Elghblawi E, Stanway A. Scalp psoriasis. DermNet. Acessar
  4. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase (Portaria Conjunta nº 18, de 14 de outubro de 2021). Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.