A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem imunológica, que não é contagiosa. Ela vai e volta ao longo da vida, e o tratamento é escolhido pela gravidade: extensão das placas, intensidade e impacto na vida da pessoa.

A placa de perto Vermelha, elevada e com escama esbranquiçada.
Nas pernas Placas espalhadas na frente das canelas.Neste artigo
A gravidade decide o tratamento.
Uma consulta mede a extensão e o impacto da psoríase e define o tratamento.
Agendar consultaPlacas vermelhas, bem marcadas, cobertas por uma escama branca ou prateada, no cotovelo, no joelho ou no couro cabeludo. Quem acabou de ouvir o nome psoríase costuma sair da consulta, ou de uma busca, com três perguntas: o que é, se pega e como tratar.
Este texto responde às três, explica por que a doença vai e volta e mostra como a gravidade é medida, porque é ela que decide o tratamento. No meio do caminho estão os cuidados práticos com as placas e com o couro cabeludo.
Em 30 segundos
1 A psoríase é uma inflamação crônica da pele, e o tratamento segue a gravidade.
2 Não pega: não passa por toque, toalha, piscina nem relação sexual.
3 Unha alterada ou dor nas articulações muda o tratamento, mesmo com pouca placa.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica, de origem imunológica. Células de defesa da própria pele liberam substâncias inflamatórias que aceleram muito a renovação da camada mais externa. As células novas chegam à superfície antes da hora e se acumulam.
Por isso a placa tem três características que andam juntas:
Há predisposição genética. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 30% a 40% dos pacientes têm um familiar de primeiro grau com a doença. Ter a tendência, porém, não basta: fatores do ambiente e do dia a dia é que despertam as crises.
A psoríase também não fica só na pele. Ela se associa a inflamação nas articulações e a maior risco cardiovascular e metabólico. Por isso o tratamento olha a pessoa toda, e não só as placas.
A busca “psoríase como pega” é das mais comuns, e a resposta é direta: psoríase não é contagiosa. Não passa por toque, abraço, beijo, toalha, roupa, piscina, alimento ou relação sexual. Não é infecção, não é alergia e não tem relação com falta de higiene.
O que confunde é o aspecto da placa, que lembra micose ou ferida, e o fato de a doença aparecer em mais de uma pessoa da mesma família. Nesse caso, o que passa de pais para filhos é a predisposição genética, nunca a doença por contato.
Saber disso muda o dia a dia. Ninguém precisa se afastar de quem tem psoríase, e quem tem a doença não precisa evitar a piscina ou a academia por medo de transmitir.
A psoríase costuma acompanhar a pessoa ao longo da vida, com fases de melhora e de piora. Muitas crises têm um gatilho, mesmo quando ele não é óbvio. Entender o mecanismo ajuda a evitar os mais comuns:
Nenhum remédio deve ser suspenso por conta própria. Se um medicamento parece ter piorado as placas, a troca é decidida com o médico que o prescreveu.
O tempo frio e seco também aumenta a descamação e as fissuras. O artigo sobre pele no frio explica o que acontece com a barreira da pele nessa época.
Um hábito simples ajuda na consulta: anotar, por alguns meses, quando cada crise começou e o que aconteceu nas semanas anteriores. O registro separa o gatilho real da coincidência e evita cortar da vida coisas que não fazem diferença.
O tratamento não é escolhido pelo nome da doença, e sim pela gravidade. Na consulta, o médico dermatologista avalia três coisas:
No protocolo do Ministério da Saúde, a psoríase é considerada moderada a grave quando qualquer um desses três passa de 10: mais de 10% do corpo tomado, PASI acima de 10 ou questionário de qualidade de vida acima de 10. Segundo a DermNet, cerca de 60% dos casos são leves, 30% moderados e 10% graves.
| Situação | Como costuma ser | Base do tratamento |
|---|---|---|
| Leve | Poucas placas, pouco impacto | Remédio de passar e hidratação |
| Moderada a grave | Mais de 10% do corpo, PASI ou impacto acima de 10 | Fototerapia, comprimidos, injeções ou imunobiológicos |
| Área de alto impacto | Rosto, mãos, pés, unhas, genital ou couro cabeludo | Pode subir de etapa mesmo com pouca área |
A última linha é a que mais surpreende. Uma placa pequena na palma da mão, que racha e sangra, pesa mais na vida do que várias placas no tronco. Dor nas articulações também muda a escolha, porque alguns medicamentos tratam pele e articulação ao mesmo tempo.
A pergunta “psoríase, como tratar?” tem resposta em etapas. A meta é chegar a poucas placas ou nenhuma, cuidar das articulações e devolver o sono e a rotina. A psoríase não tem cura, mas tem controle, e há opções para cada etapa da gravidade.
Em casa, o que funciona é o cuidado com a barreira da pele: hidratante todos os dias, inclusive fora das crises, banho morno e curto e sabonete suave. Isso amolece a escama, diminui a coceira e as fissuras e ajuda o remédio prescrito a agir.
O hidratante sozinho, porém, não controla a inflamação. Por isso a psoríase tratada só com creme de farmácia costuma ir e voltar no mesmo lugar, sem mudar de tamanho.
O que nunca fazer:
Quando é preciso tratamento médico, ele segue a gravidade:
Os remédios de passar levam algumas semanas de uso regular até mostrar efeito. Parar na primeira semana porque “não funcionou” é uma das causas mais comuns de troca desnecessária de tratamento.
Se a psoríase incomoda, uma consulta define o diagnóstico e o tratamento indicado para o seu caso. Como é feito o tratamento da psoríase no consultório, do remédio tópico ao imunobiológico, está na página do tema.
O couro cabeludo é um dos lugares mais atingidos. O cabelo atrapalha a aplicação, a escama gruda e a coceira é constante, o que explica tantas buscas por “psoríase no couro cabeludo como tratar”.
O primeiro passo é reconhecer. Na psoríase, a escama é grossa e aderida, sobre uma placa vermelha bem delimitada, que muitas vezes passa da linha do cabelo para a testa, a nuca ou atrás das orelhas. Na caspa e na dermatite seborreica, a escama é mais fina e oleosa, sem placa grossa. As duas podem existir juntas.
O que ajuda em casa:
O que não funciona é trocar de xampu anticaspa a cada semana: ele tem pouco efeito sobre a psoríase. E o que nunca fazer é raspar a escama com pente fino, unha ou pinça, que fere o couro e faz a placa voltar.
Quando a placa não melhora, o tratamento usa loções, géis ou espumas com prescrição médica, que penetram melhor entre os fios do que as pomadas. Na psoríase extensa do couro cabeludo, o tratamento pode subir de etapa, como no resto do corpo.
E a queda de cabelo? Nos casos mais intensos pode haver queda localizada, em geral temporária, que melhora quando a inflamação é controlada.
Pontinhos na superfície da unha, manchas amareladas, descolamento da ponta e unha grossa podem ser psoríase. É comum serem tratados como micose sem exame, o que atrasa o tratamento certo. O artigo sobre unhas quebradiças mostra outras alterações de unha que pedem avaliação.
A unha também é um sinal para as articulações. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, até 30% dos pacientes podem ter inflamação nas articulações, a artrite psoriásica, que às vezes aparece anos depois da pele. Rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos, dedo inteiro inchado ou dor no calcanhar ao pisar devem ser contados na consulta, mesmo quando a pele está boa.
Algumas formas de psoríase são raras, mas graves. Procure atendimento no mesmo dia, em pronto atendimento se não houver consulta, quando houver:
As placas voltam sempre nos mesmos lugares, mesmo com hidratante? Uma consulta mede a gravidade da psoríase e define o tratamento indicado para o seu caso.
Psoríase pega pelo contato ou na piscina?
Não. A psoríase não é infecção e não passa por toque, toalha, piscina ou relação sexual. O que se herda da família é a predisposição.
Psoríase tem cura?
Não tem cura, mas tem controle. Com o tratamento escolhido pela gravidade, muitas pessoas passam longos períodos com pouca ou nenhuma placa.
Psoríase é emocional?
O estresse é um dos gatilhos mais relatados, mas não é a causa. A doença tem base imunológica e genética, e o estresse piora uma tendência que já existe.
Psoríase no couro cabeludo faz o cabelo cair?
Nos casos mais intensos pode haver queda em áreas localizadas, em geral temporária. Ela costuma melhorar quando a inflamação do couro cabeludo é controlada.
Shampoo anticaspa trata psoríase?
Pouco. Ele ajuda na caspa e na dermatite seborreica, mas na psoríase o efeito varia. Xampu com ácido salicílico solta a escama, e o controle vem do remédio prescrito.
Quem tem psoríase pode fazer tatuagem?
A agulha fere a pele, e a psoríase pode aparecer no desenho, pelo fenômeno de Koebner. O risco é maior quando a doença está em atividade, e a decisão é conversada na consulta.
Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.
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Referências
Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.