Micose na unha do pé: como tratar, por que demora e o que funciona

A micose de unha é tratada com antifúngico: em esmalte ou solução nos casos leves e em comprimido, com prescrição médica, quando atinge boa parte da unha ou a raiz. O tratamento demora porque a unha doente não se recupera e precisa crescer de novo, o que no pé leva de 12 a 18 meses. Como outras doenças também deixam a unha grossa e amarela, o exame vem antes do remédio.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor Bezerra Médico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 25 de outubro de 2026
Nos dedões: unhas amareladas, grossas e quebradiçasNos dedões Unhas amareladas, grossas e quebradiças.
De perto: faixas amareladas que avançam pela unhaDe perto Faixas amareladas que avançam pela unha.
Figura 1. Como a micose de unha aparece nos pés. Fotos: CDC/Public Health Image Library (PHIL 579) (domínio público) e Medguy at English Wikipedia (domínio público), via Wikimedia Commons.

A unha do dedão fica amarelada e grossa, esfarela na ponta e começa a descolar. O esmalte antifúngico melhora pouco, meses depois a unha continua igual, e fica a sensação de que nada funciona. A micose de unha, ou onicomicose, é comum e tem tratamento, mas é lenta por natureza, e parte das unhas que parecem micose tem outra causa.

Este texto explica por que o tratamento demora, como tratar a micose na unha do pé, o que funciona e o que não funciona em casa, o que nunca fazer e quando procurar o médico dermatologista.

Em 30 segundos

1 Micose na unha do pé se trata com antifúngico, em esmalte ou comprimido, conforme a extensão.

2 Demora porque a unha do pé leva 12 a 18 meses para crescer de novo por inteiro.

3 Nem toda unha grossa é micose: o exame confirma o fungo antes do tratamento.

Por que a micose de unha demora

O fungo da micose de unha se alimenta da queratina, a proteína da unha. Ele costuma entrar pela ponta ou pelas laterais, se instala embaixo da lâmina, no leito da unha, e avança em direção à base. A unha engrossa, muda de cor e se solta.

O remédio trata a infecção, mas a parte já danificada não volta ao normal. Ela só sai quando a unha nova, saudável, cresce a partir da base e empurra a parte doente para a frente, até ser cortada. A unha da mão leva de 4 a 6 meses para se renovar por inteiro. A do pé, de 12 a 18 meses.

Por isso:

  • a melhora começa perto da base, numa faixa de unha clara e lisa que vai avançando;
  • avaliar o resultado em dois ou três meses leva a abandonar um tratamento que estava funcionando;
  • o comprimido, quando indicado, é usado por alguns meses, e a unha continua melhorando depois que ele termina, à medida que cresce;
  • quando a raiz da unha, a matriz, é atingida, o produto aplicado só na superfície não alcança o fungo.

Uma foto da unha a cada dois ou três meses, com a mesma luz e o mesmo ângulo, ajuda a ver a faixa nova avançando. No espelho do dia a dia, essa mudança lenta passa despercebida, e é ela que mostra se o tratamento está funcionando.

Ilustração em corte da ponta do dedão com pinos numerados: matriz, leito da unha com o fungo e borda livre descolada

A unha

  • 1 Matriz a raiz que produz a unha
  • 2 Leito da unha onde o fungo se instala e a unha engrossa
  • 3 Borda livre descolada, por onde o fungo costuma entrar
Figura 2. A unha nasce na matriz e cresce para a frente. O fungo costuma entrar pela borda e avançar pelo leito em direção à raiz. Ilustração.

Nem toda unha grossa e amarela é micose

A micose responde por pouco mais da metade das doenças de unha. Quer dizer: quase metade das unhas alteradas tem outra causa, e tratar com antifúngico uma unha sem fungo é perder meses.

CausaO que costuma mostrarPista
MicoseUnha grossa, amarelada, que esfarelaComeça na ponta; frieira junto
Psoríase unguealFurinhos, manchas amareladas, descolamentoPlacas de psoríase na pele ou casos na família
Trauma do calçadoUnha grossa ou escurecida no dedãoCorrida, sapato apertado, um dedo só
Líquen planoUnha fina, com estrias, que se parteLesões na pele ou na boca

A tabela ajuda a entender, mas não fecha o diagnóstico, e duas causas podem estar juntas. A unha que descola sem fungo, por exemplo, é a onicólise, explicada no artigo sobre unha inflamada ou descolando. E uma faixa escura na unha nunca deve ser tratada como micose antes de avaliada: o artigo sobre unhas quebradiças explica por quê.

Quando a causa é psoríase, o antifúngico não ajuda, e a conduta segue o tratamento da psoríase. Se você já usa algum antifúngico, conte na consulta. O produto pode esconder o fungo no exame, e às vezes é preciso parar por um tempo antes de colher o material.

Micose na unha: como tratar em casa e o que não funciona

Em casa, dá para fazer bastante pelo pé e pela unha, e esses cuidados também ajudam a micose a não voltar:

  • secar bem os pés depois do banho, inclusive entre os dedos;
  • trocar a meia todo dia e preferir as que absorvem o suor;
  • alternar os calçados, para que sequem por completo entre um uso e outro;
  • usar chinelo em vestiário, piscina e chuveiro de uso coletivo;
  • manter a unha curta, cortada reta, com cortador e lixa só seus;
  • lixar de leve a superfície grossa, sem chegar à pele; quem tem diabetes ou má circulação só lixa com orientação.

O esmalte antifúngico de farmácia funciona em casos limitados: quando a micose atinge menos da metade de uma ou duas unhas e não chegou à raiz. Quando a unha está tomada, grossa ou atingida perto da base, o produto não penetra o suficiente e o tratamento só na superfície costuma falhar. Nesses casos, entra o antifúngico por via oral, com prescrição médica.

Vinagre, alho, bicarbonato, óleos e outras receitas caseiras não funcionam como tratamento, e enquanto isso o fungo continua avançando para a raiz.

O que nunca fazer

  • Arrancar a unha ou cavar embaixo dela com alicate ou espátula: machuca o leito, abre porta para bactéria e pode deixar a unha deformada.
  • Lixar até sangrar ou raspar a unha com lâmina.
  • Passar água sanitária, querosene ou produto de limpeza no pé: queimam a pele e não chegam ao fungo embaixo da unha.
  • Usar pomada de corticoide na frieira: alivia a coceira por uns dias, mas favorece o fungo e muda o aspecto da lesão.
  • Tomar comprimido antifúngico por conta própria, ou o que sobrou do tratamento de outra pessoa: ele exige exames e revisão dos remédios em uso, por causa das interações.
  • Dividir alicate, lixa, toalha ou calçado.

Micose da unha do pé e frieira: por que a família e o calçado contam

A frieira, ou pé de atleta, é a micose da pele do pé, com descamação e coceira entre os dedos ou na sola. Ela costuma vir junto da micose de unha e funciona como reservatório: tratar só a unha e deixar a pele com fungo é o caminho mais comum para a micose voltar.

O fungo passa pelo piso úmido, pela toalha, pelo calçado e pelo material de unha compartilhado. Por isso:

  • quem mora junto e tem frieira ou unha alterada também precisa de avaliação;
  • o calçado e as meias usados durante a micose precisam de cuidado, conforme a orientação da consulta;
  • diabetes, má circulação, suor excessivo nos pés e trauma repetido na unha aumentam o risco e a chance de a micose voltar.

Mesmo com o tratamento completo, a micose de unha volta em 20% a 25% das pessoas. Quando volta, o motivo costuma ser um novo contato com o fungo ou uma tendência da própria pessoa, e não um tratamento malfeito. Para quem tem recaídas, um esquema de manutenção aplicado em casa entra no plano.

Quando a unha do pé pede atendimento no mesmo dia

Quem tem diabetes ou má circulação e nota vermelhidão, inchaço, dor, calor ou pus em volta da unha do pé precisa de avaliação médica no mesmo dia. Nesse grupo, uma infecção pequena no pé pode se espalhar.

Quando procurar o médico dermatologista

  • Unha grossa, amarelada ou descolando há meses.
  • Micose que voltou depois de tratada.
  • Várias unhas alteradas, ou unhas da mão também.
  • Antes de começar um comprimido antifúngico.
  • Faixa escura, sangramento, dor ou unha que se deforma rápido.

Na consulta, a unha é examinada com dermatoscopia e, quando indicado, o material é colhido para o exame micológico e a cultura, que confirmam o fungo e mostram qual é. Com o diagnóstico, o tratamento é escolhido: esmalte ou solução para casos limitados, comprimido para os extensos ou com a raiz atingida, com exames de controle quando necessário. Em casos selecionados, com dúvida que persiste, a biópsia da unha é feita no consultório. Os retornos acompanham o crescimento da unha.

Se a micose de unha incomoda, uma consulta define o diagnóstico e o tratamento indicado para o seu caso. O diagnóstico e as opções de tratamento de micose de unha estão na página do tema.

A unha continua grossa e amarelada mesmo depois do esmalte? Uma consulta confirma se é micose e define o tratamento indicado.

Perguntas frequentes

Micose da unha do pé: como curar?
Com o antifúngico indicado para o caso, pelo tempo necessário, e tratando a frieira junto. O fungo costuma sair antes de a unha melhorar de aparência, porque a unha nova leva de 12 a 18 meses para crescer.

Quanto tempo leva para a unha voltar ao normal?
Na mão, de 4 a 6 meses; no pé, de 12 a 18 meses. É o tempo de a unha nova substituir a parte danificada.

Micose de unha pega?
Pode passar pelo piso úmido de uso coletivo, pela toalha, pelo calçado e pelo alicate. Por isso quem mora junto e tem frieira ou unha alterada também precisa de avaliação.

Micose de unha some sozinha?
Raramente. Sem tratamento, ela costuma avançar devagar pela unha e pode atingir outras unhas.

Criança tem micose de unha?
É rara na infância. Unha alterada em criança pede avaliação antes de qualquer tratamento.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Onicomicose. Acessar
  2. Hillan A, Oakley A. Fungal nail infections. DermNet. Acessar
  3. American Academy of Dermatology. Nail fungus: Diagnosis and treatment. Acessar

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Os resultados variam conforme as características individuais de cada paciente e não podem ser garantidos. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica presencial.