Orelha rasgada pelo brinco: o que fazer e como corrigir

Orelha rasgada pelo brinco tem correção: a lobuloplastia, um procedimento de consultório feito com anestesia local, une de novo o lóbulo que se abriu até a borda ou que ficou com o furo comprido. Em alguns casos de furo alongado, a correção pode ser feita com ácido, sem cortes. Fita, adesivo e cola ajudam a disfarçar, mas não fecham o rasgo.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 11 de outubro de 2026
A causa: o peso do brinco puxa o furo para baixoA causaO peso do brinco puxa o furo para baixo.
Depois da correção: lóbulo fechado e brinco leve de novoDepois da correçãoLóbulo fechado e brinco leve de novo.
Figura 1. O lóbulo rasgado se corrige com uma pequena cirurgia. Fotos: Pexels.

Em 30 segundos

1A lobuloplastia une de novo o lóbulo rasgado, no consultório, com anestesia local.

2Em alguns furos alongados, a correção pode ser feita com ácido, sem cortes.

3Fita, adesivo e cola disfarçam o rasgo, mas não fecham o lóbulo.

Por que a orelha rasga ou o furo alarga

O rasgo no lóbulo costuma ter uma de três origens:

  • Brinco pesado usado por muito tempo. O peso puxa o furo para baixo, dia após dia, até alongá-lo. Esse tipo de rasgo, em que o furo fica comprido sem chegar à borda, costuma aparecer nas duas orelhas.
  • Puxão. Quando o brinco é puxado de forma brusca, por exemplo ao enroscar na roupa, no cabelo ou na mão de uma criança, o lóbulo pode se abrir de uma vez. Esse rasgo completo costuma acontecer em uma orelha só.
  • Alargador. Ele dilata o furo de propósito e deixa um defeito redondo, às vezes grande, cujo fechamento é um desafio mesmo para a cirurgia.

Orelha rasgada ou furo alongado: rasgo completo e incompleto

Nem todo lóbulo machucado está rasgado de ponta a ponta. A diferença importa porque muda a forma de correção.

Rasgo incompleto (furo alongado). O furo alargou ou ficou comprido, mas a borda de baixo do lóbulo continua inteira. O brinco escorrega, fica caído ou deixa de parar no lugar.

Rasgo completo. O furo se abriu até a borda, e o lóbulo ficou dividido em duas ou, às vezes, três pontas. É o que a maioria das pessoas chama de orelha rasgada.

Lóbulo aberto por alargador. É um caso à parte: o defeito é redondo e maior, e a correção costuma exigir uma técnica própria.

O que não resolve em casa

Fita atrás do lóbulo, adesivo próprio para brinco e cola são recursos comuns para disfarçar o furo e segurar o brinco por um tempo. Muita gente recorre a eles enquanto decide o que fazer, e não há erro nisso. Mas eles não fecham o rasgo.

O motivo está na forma como a correção funciona. Para o lóbulo voltar a ficar inteiro, é preciso provocar uma cicatrização nova entre as bordas do rasgo: na cirurgia, as bordas são preparadas e unidas com pontos; na técnica com ácido, o próprio ácido provoca essa cicatrização. Segurar o brinco no lugar não junta as bordas.

Continuar usando brinco pesado no furo alongado mantém a causa do problema. Enquanto a correção não é feita, brincos leves pesam menos sobre o lóbulo.

Quando procurar o médico dermatologista

Vale marcar uma avaliação quando:

  • o lóbulo se abriu até a borda;
  • o furo alongou, não segura mais o brinco ou parece estar aumentando;
  • o furo aberto por alargador não voltou ao tamanho desejado;
  • a pessoa já teve queloide ou cicatriz que cresceu em outro lugar, antes de qualquer correção ou de um furo novo.

No exame, o médico dermatologista define o tipo de rasgo e a forma de correção mais adequada. Na clínica, a consulta dura cerca de 50 minutos, o atendimento é particular e o agendamento é feito pelo WhatsApp. Como a correção é feita em Londrina está na página de lobuloplastia em Londrina.

Como é a correção da orelha rasgada

A correção do lóbulo se chama lobuloplastia. Na clínica, ela é feita no consultório, com anestesia local, pelo próprio médico dermatologista, o Dr. João Victor Bezerra. Há duas formas de correção, e a escolha é feita na avaliação, porque nem todo caso é igual.

Correção cirúrgica, com pontos. As bordas do rasgo são preparadas e unidas com pontos finos, refazendo o contorno do lóbulo. Existem várias técnicas descritas, da sutura direta ao desenho em zigue-zague e aos pequenos retalhos da própria pele do lóbulo, usados sobretudo nos furos de alargador. Quando o lóbulo ficou comprido, a técnica também pode reduzir o seu tamanho.

Correção com ácido, sem cortes. Para alguns casos de furo alongado (rasgo incompleto), a clínica faz a correção com um ácido aplicado no consultório. Nos estudos publicados, o ácido usado foi o ácido tricloroacético, aplicado nas bordas do furo, uma ou mais vezes, ao longo de semanas. Ele provoca uma cicatrização que vai unindo as bordas. Os estudos ainda são pequenos, com poucos pacientes, e a técnica não serve para todos os casos.

As duas orelhas podem ser corrigidas no mesmo dia. A lobuloplastia faz parte das cirurgias de pele feitas no consultório, reunidas na página de cirurgia dermatológica em Londrina. Os detalhes de cada técnica e o passo a passo estão na página de correção da orelha rasgada (lobuloplastia).

Recuperação e quando usar brinco de novo

Depois da correção, fica um curativo simples. A limpeza e a troca do curativo são feitas em casa, conforme as orientações dadas no consultório. O lóbulo corrigido fica sem brinco até a liberação. Há um retorno para avaliar o resultado e retirar os pontos, se for o caso.

Furo novo: de 30 a 60 dias depois. Esse é o prazo orientado pelo Dr. João Victor Bezerra para refazer o furo. O furo novo deve ficar ao lado da cicatriz, e não em cima dela, porque furar sobre a linha da cicatriz aumenta a chance de o rasgo voltar. O furo novo não é feito na clínica: depois da liberação, ele é feito em um local de confiança.

Para o resultado durar, brincos leves são a melhor escolha, já que o peso foi a causa mais comum do rasgo. Tirar o brinco em situações em que ele pode enroscar também evita um novo puxão.

Riscos: cicatriz, queloide e novo rasgo

A lobuloplastia é um procedimento pequeno, mas, como toda cirurgia, tem riscos. Não há como prometer um resultado, e o lóbulo corrigido terá sempre uma cicatriz, em geral fina. As complicações descritas são:

  • Cicatriz alterada: mais grossa, mais larga, afundada ou retraída, o que pode marcar a borda do lóbulo.
  • Novo rasgo, mais provável com furo novo sobre a cicatriz ou com brinco pesado.
  • Infecção, entre as complicações relatadas.
  • Queloide. A orelha é uma região propensa a queloide. Quem já teve queloide precisa contar isso na avaliação, porque o plano de cuidado com a cicatriz muda. O tratamento do queloide na orelha é outro e está explicado na página de tratamento de cicatrizes e queloides.

Rasgo no lóbulo, furo que alongou ou lóbulo aberto por alargador têm correção, e a forma de corrigir depende do exame. Na consulta, o médico dermatologista avalia o lóbulo e explica as opções para cada caso.

Perguntas frequentes

Orelha rasgada fecha sozinha?
Não costuma fechar. O lóbulo só volta a ficar inteiro quando se provoca uma nova cicatrização entre as bordas, com pontos ou com ácido; fita e cola apenas disfarçam.

Dá para corrigir orelha rasgada sem cirurgia?
Em alguns casos de furo alongado, sim, com ácido aplicado no consultório, sem cortes. Rasgos completos e furos grandes de alargador costumam precisar da correção com pontos; a escolha é feita na avaliação.

A lobuloplastia dói?
Ela é feita com anestesia local, aplicada no próprio lóbulo. O desconforto costuma se concentrar na aplicação da anestesia.

Quanto tempo depois posso furar a orelha de novo?
Na clínica, a orientação é de 30 a 60 dias depois da correção, com o furo ao lado da cicatriz e não em cima dela. O furo novo não é feito na clínica.

Dá para corrigir as duas orelhas no mesmo dia?
Sim. As duas orelhas podem ser corrigidas no mesmo dia, no consultório.

Quanto custa a lobuloplastia?
O valor depende do tipo de rasgo, da técnica e de a correção ser em uma ou nas duas orelhas, e é informado depois da avaliação. O atendimento é particular.

Fica cicatriz?
Fica uma cicatriz no lugar do rasgo, em geral fina. A região é propensa a cicatrizes alteradas e a queloide, por isso quem já teve queloide precisa avisar na consulta.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Maiolini VM, Sbroglio LL, Marques RB, Silva RT, D'Elia MLN. Nova proposta cirúrgica para reparação de lóbulo de orelha após o uso de alargador. Surg Cosmet Dermatol. 2020;12(supl. 2):167-171. doi:10.5935/scd1984-8773.20201243741. Acessar
  2. Oliveira ARMR, Mendonça MCC, Machado RF, Silva MGTL, Arestrup BJV. Técnica minimamente invasiva para correção de lóbulo de orelha totalmente fendido. Surg Cosmet Dermatol. 2011;3(3):254-256. Acessar
  3. Staut JG, Torres DO, Pereira J, Nepomuceno AC, Padua C, Morano FG, Gimenez RP. Uso de ácido tricloroacético para fechamento de lesão por alargadores em lóbulos de orelhas. Rev Bras Cir Plást. 2020;35(2):203-205. doi:10.5935/2177-1235.2020RBCP0034. Acessar
  4. Ribeiro AA, Lourenço LM, Matsuda THCB, Ferrari NM. Reparo do lóbulo da orelha partido: revisão da literatura e proposta de nova técnica. Surg Cosmet Dermatol. 2009;1(3):141-144. Acessar

Próxima revisão prevista: abril de 2027. O autor declara não ter conflito de interesse na elaboração deste conteúdo. Doses e esquemas de tratamento não são informados nesta página por serem definidos individualmente.

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