Sintomas do câncer de pele: a ferida que não cicatriza e outros sinais além da pinta

Nem todo câncer de pele começa como uma pinta escura. Os mais comuns, os carcinomas, costumam aparecer como ferida que não fecha, caroço brilhante ou mancha avermelhada que descama. Reconhecer esses sinais encurta o caminho até o diagnóstico.

Dr. João Victor Bezerra
Escrito e revisado por Dr. João Victor BezerraMédico Dermatologista · CRM-PR 57.044 · RQE 35.332 · 22 de outubro de 2026
A ferida que não fecha: pequena, sangra e volta a formar crostaA ferida que não fechaPequena, sangra e volta a formar crosta.
A mancha que descama: avermelhada, plana e persistenteA mancha que descamaAvermelhada, plana e persistente.
Figura 1. Dois aspectos do carcinoma basocelular, o câncer de pele mais comum. Fotos: Kelly Nelson, National Cancer Institute (domínio público), via Wikimedia Commons.

Quando se fala em câncer de pele, quase todo mundo pensa numa pinta escura que muda de forma. Esse é o retrato do melanoma, o tipo mais grave, mas não o mais frequente.

Os mais comuns são os carcinomas, e eles raramente se parecem com uma pinta. Por isso passam meses despercebidos, tratados como uma ferida que “não sara” ou uma mancha de pele seca.

Em 30 segundos

1Os cânceres de pele mais comuns são os carcinomas, e quase nunca parecem pinta.

2Ferida que não cicatriza em pele exposta ao sol merece exame.

3O diagnóstico vem da biópsia, e o tratamento costuma ser cirúrgico.

Os carcinomas: o câncer de pele mais comum

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. Dos cerca de 185 mil casos novos registrados por ano pelo INCA, a grande maioria é de carcinomas.

  • Carcinoma basocelular: o mais frequente. Cresce devagar e raramente se espalha para outros órgãos, mas, sem tratamento, avança no próprio lugar e pode destruir os tecidos ao redor.
  • Carcinoma espinocelular: o segundo mais comum, duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres. Cresce mais rápido e tem mais chance de se espalhar que o basocelular, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.

A pinta escura que muda continua sendo o principal alerta do melanoma, e esse caminho está no artigo sobre pinta que mudou. Este texto trata do que fica de fora dele.

Os sinais que não parecem pinta

O carcinoma pode ter aspectos bem diferentes. Os mais comuns:

  • Ferida que não cicatriza, ou que fecha, forma casquinha e volta a abrir. Alternar entre crosta e cicatrização é típico do carcinoma basocelular.
  • Caroço ou bolinha brilhante, de aspecto perolado ou rosado, às vezes com vasinhos finos na superfície e uma depressão no centro.
  • Mancha avermelhada e plana que descama e não melhora com hidratante.
  • Lesão áspera, com crosta, que cresce ao longo de semanas ou meses e pode doer ao toque.
  • Área parecida com uma cicatriz, sem que tenha havido machucado no lugar.
  • Sangramento sem motivo, por exemplo ao enxugar o rosto com a toalha.

Não doer não quer dizer que é benigno. A maioria dos carcinomas basocelulares não dói nem fica sensível ao toque, e é justamente por isso que muita gente espera.

Onde aparece e quem tem mais risco

O carcinoma basocelular aparece sobretudo na cabeça e no pescoço (cerca de 80% dos casos), seguido do tronco (15%). O espinocelular prefere as áreas que pegam sol ao longo da vida: rosto, lábios, orelhas, dorso das mãos, antebraços e pernas.

O risco é maior em quem tem pele clara e muita exposição ao sol, sobretudo exposição intensa na infância e na adolescência. Também aumenta com a idade, é mais comum em homens e pesa mais em quem tem a imunidade reduzida, como os transplantados.

O espinocelular costuma nascer sobre uma ceratose actínica, aquela lesão áspera e avermelhada da pele danificada pelo sol. As diferenças entre as ceratoses estão no artigo sobre ceratose actínica e seborreica.

Como é feito o diagnóstico

A suspeita nasce no exame da pele, com a dermatoscopia, uma lente de aumento com luz que mostra estruturas que o olho não vê. Mas quem confirma o carcinoma é a biópsia, com a análise do tecido no microscópio.

Essa análise também diz o subtipo do tumor, e é ele que orienta a escolha do tratamento. Toda lesão suspeita retirada vai para a análise histopatológica.

Como é o tratamento

Na maioria dos casos, o tratamento é a retirada cirúrgica da lesão com uma margem de pele saudável ao redor, feita no consultório, com anestesia local. Casos maiores, o que é raro, são operados pelo próprio médico em ambiente hospitalar. As etapas estão na página de tratamento do carcinoma basocelular e espinocelular.

Em lesões pequenas e de baixo risco, existem alternativas descritas na literatura, como curetagem, crioterapia e tratamentos aplicados na pele. A escolha depende do tipo, do tamanho e do local da lesão, e é feita na avaliação.

Quem já teve um carcinoma tem chance maior de ter outro. Por isso o acompanhamento com exame de toda a pele é periódico, em geral uma vez por ano.

Quando procurar o médico dermatologista

Vale marcar uma consulta quando aparecer:

  • ferida que não fecha ou que volta a abrir no mesmo lugar;
  • lesão que cresce, sangra, coça ou forma crosta repetidas vezes;
  • caroço brilhante ou mancha avermelhada que não sai;
  • lesão áspera que piora numa área com muito sol.

A orientação da Sociedade Brasileira de Dermatologia é procurar o médico dermatologista assim que surgir uma lesão suspeita, e fazer um exame da pele pelo menos uma vez por ano. A consulta para câncer de pele inclui o exame com dermatoscopia.

Uma ferida que não fecha merece ser examinada de perto.

Perguntas frequentes

Câncer de pele dói?
Na maioria das vezes, não. O carcinoma basocelular costuma ser indolor; o espinocelular às vezes dói ao toque. Por isso a dor não serve para separar o que é benigno do que não é.

Ferida que não cicatriza é sempre câncer?
Não. Há várias causas, mas ferida que não fecha, sobretudo em pele exposta ao sol, precisa de exame. Só a biópsia confirma se é carcinoma.

Carcinoma basocelular se espalha pelo corpo?
Raramente se espalha para outros órgãos. Mas cresce no próprio lugar e, sem tratamento, pode destruir os tecidos ao redor.

Quem já teve câncer de pele pode ter outro?
Pode. Quem já teve um carcinoma tem risco maior de um novo, por isso o acompanhamento com exame de toda a pele é periódico, em geral anual.

Protetor solar previne câncer de pele?
Proteger a pele da radiação ultravioleta é a principal forma de prevenção. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda protetor de amplo espectro, com FPS mínimo de 30, todos os dias, e não só no lazer.

JB

Dr. João Victor Bezerra é médico dermatologista (CRM-PR 57.044 · RQE 35.332), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e atende no Edifício Metropolitan, no centro de Londrina.

Referências

  1. Nambudiri VE. Carcinoma basocelular. Manual MSD, versão para profissionais; análise completa em março de 2026. Acessar
  2. Oakley A. Cutaneous squamous cell carcinoma. DermNet; atualizado em 2026. Acessar
  3. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Câncer da pele. Acessar

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João Victor Bezerra — Médico Dermatologista

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